quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Boas festas!!!

Boas festas!!!... ou não.

Não sou um fã de natal, nem do ano novo (também não curto carnaval ou pascoa... e nem aniversários, ou dia de dar presentes a alguém), eu não sei o por quê, mas nunca gostei de receber ou dar presentes. Eu nunca ganho o que quero e só sei dar livros e filmes, então fica sempre aquela coisa gostosa de se ver, eu com cara de quem levou uma chibatada.

Mas... boas festas!

(Eu vou passar assistindo "Angels with Filthier Souls"...)

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Voz real...

"Nós sabemos que vocês ficaram chocados com as reivindicações feitas pelo movimento.
E esse choque, é o nosso alívio.
O desrespeito que aconteceu na internet durou só um dia, mas as pessoas com deficiência enfrentam essa afronta todos os dias.
Esperamos que cada um que se revoltou, na internet, seja uma VOZ REAL na luta pelos nossos direitos. Que não se calem ao ver uma pessoa com deficiência sendo desrespeitada ou discriminada.
Denunciem! Não se revoltem somente nas redes sociais".

(Mirella Prosdócimo)

domingo, 22 de novembro de 2015

Pièce touchée pièce jouée

E se você conhecesse as regras do jogo? E se você olhasse a sua volta e soubesse que estamos jogando desde que nascemos? E se você fosse inteligente o suficiente para ver a melhor jogada?

Bom, não estamos falando de você, nem de mim. Contudo, se só tangenciássemos a forma de dirimir o problema, resolveríamos?

E falando de mim... e se eu tiver tocando algumas peças nesse jogo e eu não querer jogar com elas, você me permite voltar atrás? Pedir desculpas pelas minhas intenções que não serão tornadas ações? Mesmo que eu peça desculpas pelas promessas feitas sob a bebedeira, desculpas pelas promessas que fiz com a mão em sua cintura? Com meus lábios tocando os seus? As promessas que fiz enquanto as minhas mãos buscavam os seus resvaladiços, tu me perdoa?

Eu disse que íamos jogar esse jogo, mas agora... sóbrio, as coisas me parecem menos poéticas. Não, a culpa não é sua... ela é minha. Em meio a essa solidão de metrô eu me perco nesse carro cheio, eu sei que são desculpas, mas são tudo o que eu tenho. Eu sei que ontem eu tinha mais poesia e certezas. Hoje eu tenho uma dor de cabeça e parcas lembranças de ontem. Eu me lembro da dança, da música e de você dizer que não é pra mim, quando a verdade é que eu não sou para você.

Eu não menti quando disse tudo aquilo para ti, mas é que aconteceu uma coisa... A mulher que dobra estrelas me mandou uma mensagem... Ela pediu que saíssemos um dia desses... Eu disse que seria diferente dessa vez, eu sei... mas sou como uma mariposa indo ao encontro das chamas, eu não tenho controle algum quando ela me chama... eu só tenho que ir e me queimar naquele fogo...

Então me desculpe, de verdade, eu não menti, mas Ela esta aqui... eu queria jogar esse jogo contigo, esse jogo de casar, filhos e levar a vida que todo mundo quer, mas ela não deixa. Ela é igual o banqueiro do Banco Imobiliário, ela me da os recursos iniciais, deixa eu correr umas casas e comprar algumas coisas, mas esse jogo nunca acaba, eu nunca vi o fim de uma partida de Banco Imobiliário e eu ainda to na partida em que ela é o banqueiro...

Sério, desculpe-me eu não devia ter tocado as peças que não vou jogar...

domingo, 15 de novembro de 2015

Sobre gostar de alguém...

Era segunda-feira. Pouca gente vai no bar em uma segunda-feira. A maior parte das pessoas que conheço ou de quem ouvi falar leva a vida que todo mundo quer, mas eles não sabem. Não sabem que vivem o sonho. Então arrumam outros sonhos para sonhar dentro do sonho, pois alguém ou algo lhes disse que o importante é ter um sonho e ser feliz. Eu pensava nisso enquanto mijava e lia obscenidades escritas nas paredes do banheiro. Ofensas a homossexuais e a mulheres, telefones oferecendo o próprio corpo ou partes dele para pessoas que desconhecem e leem aquela merda toda. Balancei meu pau e dei descarga, lavei as mãos e as enxuguei em minhas calças. Olhei no espelho e vi um cara mais velho do que esperava. Sentei em uma mesa. Havia pelo menos uma dezena delas livres. Então escolhi uma do lado de fora. Nesses tempos, dessa minha geração fraca, ao invés de os tolos se retirarem do lugar quando eu acendo meu cigarro, jogaram-me para a calçada com leis de um povo que não deveria vir ao meu bar. Tudo bem, eles fazem a lei, eu mijo nos ideais deles.

Acendi um cigarro e esperei minha companhia chegar. Ela estava de calças jeans e com uma blusinha rosa. Quem vem a um moto clube de rosa? Foda-se, era uma boa foda para o rosa me preocupar tanto. Descartei a critica.

Ela: Você vem sempre nesse pulgueiro?
Eu: Sempre que posso.
Ela: Numa segunda? Você não trabalha não?
Eu: Trabalho. Só escolhi a minha vida e ela me permite vir ao bar em uma segunda sem ter de me preocupar com o que pensam de mim ou da minha vida.
Ela: Afe, você tem de ser sempre assim ignorante?
Eu: Só quando me ofendem sem me entender.
Ela: Tá... vamos beber o que?
Eu: Breja... e você?
Ela: Prefiro destilado.
Eu: Certo vou lá pegar algo para nós.

Sentei na cadeira do balcão e pedi uma breja e uma caipirinha com vodca. A garçonete me olhou e sorriu.

Garçonete: Amiga nova?
Eu: Mais ou menos. Já nos conhecíamos, só não saiamos juntos.
Garçonete: Ela parece gostar de você.
Eu:...
Garçonete: Você gosta dela?
Eu: Quanto mais você conhece alguém, menos razões para gostar desse alguém você tem.
Garçonete: Nossa! Então pra que sair com ela?
Eu: Foi um dia ruim. Eu precisava de companhia para vir beber e de uma mulher para passar a noite...

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Imagens de estrelas despedaçadas...

Eu: Psicologia não é ciência.
Serumano: Psicologia é ciência sim, psicólogos que não são cientistas...
Ambos riem.
Eu: Por que isso?
Serumano: Ah mano... eu to indo no numa psicologa, mas ela não me diz nada que eu não saiba.
Eu: Imagina a psicologa segurando um desenho de Roscharch e te perguntando: "Vou te mostrar umas imagens" ao que você responde:



terça-feira, 3 de novembro de 2015

altos Píncaros e Dançarina do efêmero...

Em principio que seja sempre alta...

Contudo as baixinhas tem, em geral, um espírito mais leve como toda gente que precisa de ajuda para puxar a cordinha de sinal no busão ou pegar o Sucrilhos no armário de cima.
Elas possuem um senso de humor diferente, mais simples, mais acolhedor...
São também como os pinscher irascíveis e tendenciosas a batalha em uma discussão, mas em geral possuem um bom humor que encanta e torna as conversas mais fluidas...
Talvez por viverem em um mundo de gigantes, elas tenham de se entregar ao bom humor, de sorrir com mais facilidade e de interagir com mais pessoas e talvez eu esteja arrumando desculpas para elas serem mulheres antes de serem baixinhas...

Contudo, mesmo entregues a vantagens tão especiais, ainda falta algo nelas (não estou falando de altura agora... A-ha), alguma que vem não sei como, e dói não sei porquê... só sei que falta...

Nunca fui um fã de mulheres baixinhas, sei lá, sempre gostei de mulheres e quanto mais mulher por metro quadrado ou por centímetros cúbicos melhor. Contudo, ando numa fase mais detalhista, tendo a me ater mais aos detalhes e não há mais detalhes do que nas baixinhas. Acredito, que como possuem mais superfície de contato a brincadeira tenha se tornado um ache os sete erros ou um "Onde está Wally?".

Tenho amigos que não trocam uma mulher com alta superfície de contato por uma de principio alta, e outrora eu seria todo desacordo por preferir mais centímetros cúbicos, mas hoje, olhando bem para o que defini uma mulher para mim... bem, eu não escolheria uma delas... compraria biquínis, uma piscina de mil litros e a encheria com gel, depois elas que lutassem... eu pego a vencedora!

E sem brincadeiras (mentira, serão um textos com piadas infames para sempre) acho que ficaria com a mulher que tivesse as partes do "Receita de Mulher" do Tio Vini que dizem: "É preciso que haja qualquer coisa de dança[...] É preciso que tudo isso seja sem ser [...] que se acaricie nuns braços alguma coisa além da carne [...] Nádegas é importantíssimo. Olhos, então nem se fala, que olhem com certa maldade inocente [...] e que exista um grande latifúndio dorsal! [...] que tenha a atitude mental dos altos píncaros [...] nos fazer beber o fel da dúvida [...] que exale sempre o impossível perfume; e destile sempre o embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina do efêmero; e em sua incalculável imperfeição constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável."

Tudo bem que essa é a receita do Tio Vini, mas convenhamos quem mais manja de admirar uma mulher do que ele? Eu teria de escrever uma para mim, e o fiz quando era adolescente, algumas coisas mudaram, mas a essência é sempre a mesma... Talvez um dia eu releia, reescreva e mostre para vocês, não o faço agora por quê eu ficaria bem comprometido com as possibilidades e eu descobri que gostos mudam e oportunidades passam se tu não as agarrar, então outro dia eu mostro aquele texto... Resolvido isso, usarei uma síntese da receita do Tio Vini (1) que ela tenha a atitude mental dos altos píncaros e (2) que haja qualquer coisa de dança na eterna dançarina do efêmero.

Se a síntese for confusa para ti eu só posso dizer que uma mulher não precisa de mais do que uma esperteza feminina aguçada e de um gingado atrevido; o restante são coisas que colocaram em nossas cabeças; para se fazer uma mulher basta esperteza e gingado, com isso o samba pode ser tocado e apreciado. Se ainda estiver confuso para ti então eu só posso proteger meus argumentos com isso: segundo o amor tiverdes, tereis o entendimento de meus versos.

Se assim o for, e entender o que quero dizer, saiba que já há um homem que te admira e achei uma mulher que valha a pena...

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Overture Reconstruindo...

"Daddy's flown across the ocean
Leaving just a memory
Snapshot in the family album"

Faz mais de cinco anos que eu desconstruí minha vida. Para todo mundo que acha que destruir a própria vida é fácil aqui vai o desafio: Tente! Depois conversamos. Agora eu estou sentado ouvindo Barão Vermelho, fumando um cigarro muito ruim e criando coragem para lavar a louça. Descartes teve a ideia de começar uma filosofia do zero, eu apenas quero copiar a iniciativa, não quero me fundamentar na ideia de Deus. Eu não sei se ele existe, mas gosto de pensar que ainda tenho salvação, que não sou mau o suficiente para queimar por todo o sempre no inferno. Recentemente o Papa Francisco primeiro disse que todos seremos salvos, pois o sacrifício de Cristo foi perfeito.

Quando a pessoa que mais amei na vida foi embora eu decidi morrer naquele dia. Após ela terminar, ou eu terminar de vez, não me lembro, mas lembro que foi depois dela me dizer que tinha ficado com outro cara e que tinha gostado, que foi bom para ela. Nesse momento eu descobri que o homem que era não era o bastante, eu havia apoiado meu mundo nela e ela o levou consigo. Depois disso eu fiz tudo o que julgava errado, eu bebi e apeguei-me ao cigarro no dia-a-dia.

Hodierno eu não quero mais ser quem fui e tão pouco quero ser quem sou. Depois desse processo de desconstrução eu quero, agora, construir coisas novas. Eu chorava quando destruía meus ideais, deve ser por que eu estava matando uma pessoa, a pessoa que eu era. Construir parece mais difícil, mas menos doloroso. Eu estou velho para sonhar com ideais, então penso em algo mais pratico como São Francisco: “Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível”.

O necessário envolve distingüir entre o certo e o errado. Valorizar o próprio trabalho e o esforço dos outros. Reaprender a sorrir das coisas simples. Tomar cuidado com o que se fala, faz e pensa. O possível esta em achar as pessoas certas para se apoiar, com quem se quer viver, sorrir e passar uma tarde sentado na calçada conversando. Sobre o impossível eu ainda não sei... talvez casar e ter filhos... Talvez...

sábado, 19 de setembro de 2015

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia...

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra coisa todos os dias são meus.

Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.

Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

S04E09 - A piada mortal - Cenas de pires sacrificados...

Pedro chegou em casa cansado do dia de trabalho. Seu rosto abatido por passar o dia tentando bater metas e as reclamações do serviço eram tudo o que ele tinha de conversa. Contudo, ele tinha escolhido uma mulher para passar o resto dos seus dias e ela tinha necessidades de mulher. Penélope precisava conversar, comer e dormir com o homem que tinha escolhido para ser o último em sua cama. Ela estava cansada das conversas sobre trabalho e o desanimo de seu marido, ela via o casamento se matando pelo dia-a-dia, afogado em detalhes que antes nem dava atenção, como o controle da televisão que não ficava mais no mesmo lugar. Nenhum dos dois daria atenção a esse fato seis meses atrás, mas os problemas grandes haviam se tornado extensões da rotina; e temos o costume de nos acostumarmos com tudo... Mesmo os problemas grandes...
Pedro entrou em casa como todos os dias, colocou a chave sobre um gancho na porta, atirou sua pasta e casaco sobre um lado do sofá e sentou no outro, ligou a televisão, mas teve de ir até ela, pois não fazia ideia de onde o controle estava, e se pôs a assistir um filme aleatório. Então veio o som da primeira “corneta”: Pow!!!

domingo, 13 de setembro de 2015

Esta velha angústia

Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.

Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que...,
Isto.

Um internado num manicômio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicômio sem manicômio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim...

Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino? Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano?
Está maluco.
Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.

Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!
Por exemplo, por aquele manipanso
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África.
Era feiíssimo, era grotesco,
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer —
Júpiter, Jeová, a Humanidade —
Qualquer serviria,
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?

Estala, coração de vidro pintado!

(Álvaro de Campos)

Sobre mim... más noticias...

Quando há um progresso do seu autoconhecimento, é sempre uma má notícia. (François Jacob)

Feminina

Eu queria ser mulher pra me poder estender
Ao lado dos meus amigos, nas banquettes dos cafés.
Eu queria ser mulher para poder estender
Pó de arroz pelo meu rosto, diante de todos, nos cafés.

Eu queria ser mulher pra não ter que pensar na vida 
E conhecer muitos velhos a quem pedisse dinheiro -
Eu queria ser mulher para passar o dia inteiro
A falar de modas e a fazer «potins» - muito entretida.

Eu queria ser mulher para mexer nos meus seios 
E aguçá-los ao espelho, antes de me deitar -
Eu queria ser mulher pra que me fossem bem estes enleios, 
Que num homem, francamente, não se podem desculpar. 

Eu queria ser mulher para ter muitos amantes 
E enganá-los a todos - mesmo ao predilecto -
Como eu gostava de enganar o meu amante loiro, o mais esbelto,
Com um rapaz gordo e feio, de modos extravagantes...

Eu queria ser mulher para excitar quem me olhasse,
Eu queria ser mulher pra me poder recusar...


Ah, que te esquecesses sempre das horas
Polindo as unhas -
A impaciente das morbidezas louras
Enquanto ao espelho te compunhas...


A da pulseira duvidosa
A dos anéis de jade e enganos -
A dissoluta, a perigosa
A desvirgada aos sete anos...

O teu passado, sigilo morto,
Tu própria quasi o olvidaras -
Em névoa absorto
Tão espessamente o enredaras.

A vagas horas, no entretanto,
Certo sorriso te assomaria
Que em vez de encanto,
Medo faria.

E em teu pescoço
- Mel e alabastro -
Sombrio punhal deixara rasto
Num traço grosso.

A sonhadora arrependida
De que passados malefícios -
A mentirosa, a embebida
Em mil feitiços

(Mario de Sá Carneiro)

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Pierre-Joseph Proudhon (Analetos)

"A vida do homem divide-se em cinco períodos: infância, adolescência, mocidade, virilidade e velhice. No primeiro período o homem ama a mulher como mãe; no segundo, como irmã; no terceiro, como amante; no quarto, como esposa; no quinto, como filha."

"Ser governado significa ser observado, inspecionado, espionado, dirigido, legislado, regulamentado, cercado, doutrinado, admoestado, controlado, avaliado, censurado, comandado; e por criaturas que para isso não tem o direito, nem a sabedoria, nem a virtude... Ser governado significa que todo movimento, operação ou transação que realizamos é anotada, registrada, catalogado em censos, taxada, selada, avaliada monetariamente, patenteada, licenciada, autorizada, recomendada ou desaconselhada, frustrada, reformada, endireitada, corrigida. Submeter-se ao governo significa consentir em ser tributado, treinado, redimido, explorado, monopolizado, extorquido, pressionado, mistificado, roubado; tudo isso em nome da utilidade pública e do bem comum. Então, ao primeiro sinal de resistência, à primeira palavra de protesto, somos reprimidos, multados, desprezados, humilhados, perseguidos, empurrados, espancados, garroteados, aprisionados, fuzilados, metralhados, julgados, sentenciados, deportados, sacrificados, vendidos, traídos e, para completar, ridicularizados, escarnecidos, ultrajados e desonrados. Isso é o governo, essa é a sua justiça e sua moralidade! ... Oh personalidade humana! Como pudeste te curvar à tamanha sujeição durante sessenta séculos?"

"O anarquista imagina uma sociedade na qual as relações mútuas seriam regidas não por leis ou por autoridades auto-impostas ou eleitas, mas por mútua concordância de todos os seus interesses e pela soma de usos e costumes sociais - não mobilizados por leis, pela rotina ou por superstições - mas em contínuo desenvolvimento, sofrendo reajustes para que pudessem satisfazer as exigências sempre crescentes de uma vida livre, estimulada pelos progressos da ciência, por novos inventos e pela evolução ininterrupta de ideias cada vez mais elevados. Não haveria, portanto, autoridades para governá-la. Nenhum homem governaria outro homem."

"Proletários de todos os países, uni-vos!"

"A propriedade é um roubo."

"Aquele que colocar as mão sobre mim, para me governar, é um usurpador, um tirano. Eu o declaro meu inimigo."

Receita de mulher

As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como o âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então
Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar as pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteia em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!)
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37º centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras
Do primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se se fechar os olhos
Ao abri-los ela não mais estará presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.

(Vinicius de Moraes)

domingo, 6 de setembro de 2015

Humanidade para meninos...

Será que aquela miríade de lagrimas vai se tornar um arco-iris?
Que todo esse tempo errando e corrigindo vai se tornar sabedoria?
E se meus esforços e trabalho não renderem os lucros?

Seguirei em frente, pois não há mais nada que um homem
possa fazer a não ser aguentar o peso do mundo,
como se fosse um Hércules substituindo um Atlas,
ou mais perto da verdade, um Hamlet simulando um Hércules.

Um homem tem de fazer o que tem de fazer,
e um homem não deve se desviar de seu caminho.
Aguentar é o que todo homem tem de fazer,
mas nada é mais belo para a espécie humana
do que o altruísmo.

A coragem só é definida pelo sucesso,
quando os tolos tentam defini-la,
pois o sucesso faz de um homem corajoso,
mas o fracasso faz dele um tolo.

Quando um homem sábio define a coragem, fazê-o assim:
"Quem diz ser corajoso o tempo todo e foge quando sente medo
é um mentiroso. Não existe nada abaixo dos covardes.
Quando sentires medo, lute consigo mesmo, é a vitória mais importante".

Não importa se tu não és inteligente, confie no trabalho duro.
Se não chegar ao seu objetivo, não desista,
pois acabaras por descobrir outro caminho para não seguir.
Sê integro e desenvolva caráter.

Encontre uma mulher que valha a pena.
Gaste teus recursos e tempo nessa empreitada, e
não acredite que todas são iguais, em verdade, elas são
tão diferentes como Beatriz é de Virgílio, na Comédia.

Lembre-se sempre que ela é a única pessoa que tu não deves magoar.
Lembre-se sempre que ela é diferente de ti, mas que se completam.
Lembre-se sempre que ela é humana e merece perdão e admoestação.
Lembre-se que ela pode fazer o mesmo por você...

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Flocos


Vez por outra

Eu te vi sorrindo naquela dia de sol,
correndo na minha frente e olhando para trás
vez por outra, parecia duvidar que eu estava ali,
como se eu não estive sempre atrás de você.

Um sorriso fácil que quase me fez
acreditar que era fácil tomar-te um riso,
uma risada gostosa ou uma gargalhada despreocupada,
uma daquelas que pessoas livres costumam dar.

Uma corrida de infantes, sem pressa
ou vontade de sair da presença de alguém.
Era mais para transformar sentimentos em
movimento, em ações, em vida.

Um volver de pescoço e lá tu estavas de novo.
Com esse sorriso de menina lapidado
num rosto de mulher. Uma piscada para trás
e meu tempo vira quando, quando tu quiseres.

Uma duvida boba em uma mulher bela.
Acho que sorri quando te vi sorrir,
só assim explico seu sorriso virar risada e
aquele fechar de olhos lento e abusado.

Por incrível que pareça não sou o homem
de paixões de que me chamaram,
e também não sou um homem de amores
da alcunha que me negaram.

E eu estava ali atrás de ti de novo.
vendo tu correr na frente, olhar para trás
sorrindo e rindo.
Fazendo me perder de onde fugi.

Não me são caras as paixões, nem os amores que tive,
tão pouco as alcunhas que me deram ou negaram...
Eu sou um homem de amor, mas assim mesmo,
amor, no singular.

Corre morena, corre, pois ali, no banco
em frente eu tenho um colo para ti,
uma poesia improvisada e uma miríade de
ósculos, daqueles de amor...

Pega o que pensa de mim...

...faz um canudo e enfia na bunda!

E da próxima vez que for falar de mim pra alguém que eu conheço... vá falar com a sua vó! Vamos tesouro, não se misture com essa gentalha!

Agora sim... raiva era o que me faltava, posso distribuir "tomar no cu" e "Foda-se" a vontade agora, tipo troco! "Bom dia Rodolfo!", "Foda-se!", "Eu te amo", "Tomanocu"... sem peso na consciência.

Fala pra mim que a coisa mais legal do mundo não é quando alguém consegue ser cretino a ponto de você se sentir bem ao machucá-lo? Claro que é. Não? É que você não tem bola. Esse ano, deveras, é a sétima série de novo...

Queria que vocês pudessem me ouvir rir igual o Mau do castelo... "Godofredo-o-o-o! Vamos brincar de fogo? Igual Heróstrato? E diga para ele que com ou sem essa merda de potencial (já prepara o canudo de novo) eu seria isso mesmo... essa coisa incrível, genial e de olhos quase verdes, que bebe por que mal aguenta respirar o mesmo ar que eles, imagina conversar sóbrio. Já pede pro Cride falar pra mãe deles que tudo que a antena captar, meu coração não captura, que meus heróis são outros, mas eu to aqui preso com os animais também e deixa um som pras crianças..."


De Fé Humberto Gessinger DVD INSULAR



"Já tive medo do escuro
Tenho medo de te perder"

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Desculpe-me... eu estava errado...

Até aqui, eu estava errado.
Não rompi os laços que tinha. Sentei com meu amigo e conversamos. Nos resolvemos. Tenho meu amigo de volta.
Não foi um caminho fácil, eu cai, chorei e fui cruel.
Desculpe-me... eu estava errado...
Eu achei que ser mais sábio envolvia ser mais solitário, até cheguei a confundir a liberdade com a solidão...
Desculpe-me... eu estava errado...
O caminho que eu achei é meu, não o seu, peço desculpas por não ter entendido antes.
Peço desculpas pelas criticas, pelas promessas não cumpridas, pela intolerância e pela vesânia.
Há mais coisas aqui fora do que eu supunha e mais trabalho do que eu havia imaginado.
Desculpe-me... eu estava errado...
Integridade, integridade, integridade... uma palavra que organizou quase tudo...
Eu queria rir com você agora, abarcar-te em um abraço, pedir desculpas pessoalmente, dizer o quanto tu foi importante nesse tempo que passamos juntos e desejar junto de ti mais tempo juntos.
Eu queria que você conhecesse a minha namorada, que fosse amigo dela, que sentássemos para tomar umas no bar, que fosse no meu casamento, que tu apadrinhasse a minha união e a minha filhota...
Eu entendi o seu ponto de vista, as suas escolhas, o seu estilo de vida... Eu havia me esquecido que você é um dos meus pares, que tu me olha na horizontal... obrigado por me fazer entender essas coisas... e de novo...
Desculpe-me... eu estava errado...

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

S08E12 - Back To The Orkut Part III - Cena: Oi, você se lembra de mim?

Eu me lembro de estar deitado na cama olhando para o teto. O vento da janela parou de forçar as páginas de um livro que estava sobre o criado mudo. Sentada sobre o para peito estava uma menina de cabelos loiros, que se agitavam com um vento que não estava mais lá. Ela volveu o rosto para mim e disse:

- Oi, você se lembra de mim?

domingo, 16 de agosto de 2015

Libertas quae sera tamen

Bec Rawlings

A vida é trânsito...

"A vida é trânsito, é dia útil, não é domingo." (Consuelo de Castro)

Para quê você não escape, Para quê você não fuja!

"Meu filho pequeno me pergunta: devo aprender
matemática?
Para quê, penso em dizer. Que dois pedaços de pão são
mais do que um
Você logo notará.
Meu filho pequeno me pergunta: devo aprender francês?
Para quê, penso em dizer. Esse império está no fim. E
Basta você esfregar a mão na barriga e gemer:
Logo lhe compreenderão.
Meu filho pequeno me pergunta: devo aprender
história?
Para quê, penso em dizer. Aprenda a enfiar sua cabeça
na terra
Talvez então você escape.
Sim, aprenda matemática, digo.
Aprenda francês, aprenda história!"
(Bertolt Brecht)

sábado, 15 de agosto de 2015

Do Hamaval...

Seja um verdadeiro amigo de seu amigo,
devolva presente por presente,
recompense um sorriso com outro sorriso.
E a traição com deslealdade.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Eu sei, mas não devia - Marina Colasanti



Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.

E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.

As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.

Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.

Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Verdade seja dita...

“A primeira impressão nunca vale, seja boa ou má.” (Jean Piaget)

domingo, 2 de agosto de 2015

Sobre bife de figado e planos A e B...


Eu fiquei olhando essa imagem um tempo e pensando: "Pra quê algum infeliz pixa isso no muro de outrem?", até que eu achei um sentido para ela, escrever um texto sobre como eu "odeio bife de figado" também, ou melhor, sobre o medo que eu tenho de ser um emissor cuja informação seja desnecessária ou inconveniente (sem motim gente, eu to ligado que incomodo igual ao elefante da musiquinha...), e no fim das contas deixar a impressão errada.
E se tiverem dúvida do que se segue agora... bom, segue assim... eu num bar bêbado, com um cigarro na mão direita e um livro na esquerda, quiçá uma doida me mandando maneirar... Tem umas coisas e pessoas que me importam mais que o mundo, então eu me lembrei que "odeio bife de figado"... A-ha!

Engraçado como algumas coisas ficam descontextualizadas quando não há explicação. O humor pode vir dessa "fora de hora"... desse momento inoportuno. Outrora eu gostava de falar "a vida é uma piada ruim contada no momento certo, até tem graça naquela hora, mas se você for contar em outras ocasiões perde a graça toda", mas o inverso também é verdadeiro. Há situações que não tem graça alguma, ou mesmo sentido, até que você dê um sentido a situação, como na imagem acima.

Eu descobri uma coisa por esses dias (é mais uma e não, não é boa coisa também) rir está cada vez mais difícil e eu acho que vem dessas coisas dentro da minha cabeça, mas tem uma porrada de coisas que vem de fora. E não vou contar ainda, sabe como é, to processando a informação...

Ouvi umas coisas que não gostei ontem. Fui a festa de uma amiga e já que ela me pediu (ameaçou-me em verdade) para não causar dessa vez... Eu não causei... muito. O pós festa foi mais complicado, mas me comportei como um bom nerd, bêbado e preguiçoso durante a festa. Até fiz boas ações na festa! Ajudei duas amigas na mesma noite e sem reclamar! (E não é que ameaças ajudam mesmo!)

Eu queria escrever sobre as coisas que realizei desde o começo do ano, e nos últimos dois meses eu me achei um organista sobre uma obra-prima, mas ainda não é hora, pois há mais coisas a serem feitas antes desse ano terminar. Contudo, vai ser muito bom olhar para trás depois, mesmo que dê errado eu vou ter aprendido mais coisas esse ano do que nos últimos dez... E é como dizem: "O que separa a coragem da estupidez é o resultado"... "tem um plano A e tem um plano B"...

A imagem acima possui todo o sofrimento da Autopsicografia do Pessoa, com aquele toque do Destino Atroz do Mário Quintana e mesmo assim eu leio essa frase: "Odeio bife de figado" e acho foda. No final das contas, minhas opiniões e ações andam meio tortas nesses últimos meses (mas você também estaria fora dos eixos se tivesse notado um mundo louco e pessoas simulando e dissimulando o tempo inteiro, né?), e eu acho que acabei escrevendo num muro onde qualquer um lê, mas interpreta como quer. Não ando passando as informações direito, mas em verdade, acho que nem quero mais... Tio Jimmy que manja das coisas...

"Minha vida é minha,
E a sua que se foda!"

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Version 3.0... ou 3.1...

Eu ai colocar aqui um texto que escrevi essa noite, mas ele me pareceu meio soturno para uma data tão importante. Desse modo, vou esperar acontecer algumas coisas que estão programadas e então... vou guardar pra mim essas coisas. Há coisas que não devemos falar aos outros, vocês entendem, tem coisas que são minhas e de mais ninguém.

Então nos vemos no próximo programa... Quando a programação voltar ao normal...

Perspectivas...


quarta-feira, 29 de julho de 2015

Morena e o Bêbado...

O telefone toca. Eu não sei quem é, mas posso presumir. Apaguei todos os telefones de mulher do celular. Assim quando estou bêbado evito fazer besteiras... Mesmo assim ele ainda toca.
Eu: Alô.
Ela: Oi, tudo bem?
Eu: Tudo. Quem fala?
Ela: Eu, seu besta. Onde cê tá?
Eu: Estou bêbado...
Ela: Eu sei. São mais de oito da noite claro que você tá bêbado. Quero saber onde você tá!
Eu: Em São Mateus.
Ela: Ta fazendo o que ai?
Eu: Bebendo?!
Ela: Com quem besta?
Eu: Com uns amigos...
Ela: Hum. Tem como voltar pra casa?
Eu: Pra casa? Mas eu to de férias...
Ela: Afê! Vai tá bem amanhã?
Eu: Um dia de cada vez... Pega leve.
Ela: Quero ir no cinema amanhã.
Eu: E sua irmã? Ela não ia contigo?
Ela: Não. Ela vai sair. Quer ir comigo?
Eu: Hum... Preciso ver a conta... Acho que exagerei esse mês...
Ela: Afê.
Eu: Ow... Vamos namorar?
Ela: Claro. Pede isso sóbrio e eu penso no assunto.
Eu: Droga... Vamos ficar solteiros então...
Ela: Eu sei. Você não tava saindo com uma minazinha ai?
Eu: Tava?
Ela: Oxi... Você quem disse.
Eu: Hum... Tava... Mas ela é menina séria... Quer namorar...
Ela: E você não? (risos)
Eu: Em verdade não... Mas sou um homem desesperado... Ai fico caçando problemas...
Ela: E eu não sou séria?
Eu: A maior de todas elas. Talvez a única que possa colocar ordem em minha casa...
Ela: Muito trabalho, eu já te disse. Já é difícil ser sua amiga com essa bebedeira toda. Imagina arrumar essa sua vida! E você nem tem casa mais, tá morando com a mamãe de novo (risos).
Eu: Por hora... Até o fim do ano...
Ela: Certo. Façamos assim, quando tu morar sozinho de novo e parar de falar que tudo te irrita eu penso no assunto. Pode ser?
Eu: Você quem manda...
Ela: E o cinema?
Eu: Vamos... Mas me liga amanhã depois do almoço... Não vou me lembrar dessa conversa...
Ela: Eu sei. Só queria ir no cinema e ver se você ainda me pede em namoro quando bêbado.
Eu: Nada mudou. Já disse que gosto de você hoje?
Ela: Ainda não.
Eu: Eu gosto de você.
Ela: Eu sei. Beijos. Amanhã eu te ligo. Tchau.
Eu: Tchau.

O problema é...


sexta-feira, 24 de julho de 2015

Ateu ruim

Serumano: Ela ta saindo com um cara do Espirito Santo.
Eu: Mas eu to aqui!
Serumano: É, mas você é ateu e o cara é do Espirito Santo!

quinta-feira, 23 de julho de 2015

A Revolta de Lear

Por esses dias eu estava no parque Celso Daniel com um amigo meu, como sempre conversávamos sobre esse mundo doido, onde a moral e bom senso morreram. Eu ainda não entendi bem o porquê de tudo me irritar, mesmo que eu sempre tenha me sentindo "um estrangeiro, passageiro de algum trem que não passa por aqui..." nos últimos anos isso tem me preocupado mais.

Bom, conversamos como sempre, até que eu decidi lamentar a falta de pessoas para eu conversar. Para ele foi um choque, pois no mundo dele há muitas pessoas que discutem sobre a vida, a sociedade e o certo e o errado. E para mim foi um choque, pois no meu mundo não há mais do que três pessoas que discutem sobre a vida, a sociedade e o certo e o errado. Quase chorei... quase...

Mas o assunto só voltou aos eixos - é, eu fiquei lamentando a minha falta de sorte - quando citei Shakespeare... Rei Lear... "Pobre rei Lear, ficou velho antes de ficar sábio". Passamos a conversar sobre nossas esperanças de ficarmos sábios, antes de ficarmos velhos. Foi uma boa tarde, tive de abrir cadernos velhos nessa noite, mas valeu a pena. Pessoas são as melhores companhias que podemos ter, mas nem sempre hemos de tê-las por perto. Tomei de minhas anotações as respostas que eu precisava... Não cabe a mim colocá-las aqui. Só posso dizer que dormi em paz, que achei uma resposta que me colocou para dormir.

Para concluir, esse será um tempo cada vez mais sem cor, mas talvez por não haver cor o tempo todo, eu possa admirar com mais alegria as poucas que haverem, pois creia-me, se você ainda espera um mundo feliz e regado a sorrisos, saiba que rir o tempo todo é insano e o mundo mastiga crianças e mulheres por hábito. Eu também quero sorrir, mas hoje quero sorrir por algo que valha a pena. Um amigo esses dias me mandou uma mensagem me desejando felicidade e alegria, eu respondi que queria menos alegria e felicidade e mais responsabilidade, a noção da responsabilidade.
Bom, tenha um bom dia.


"Entre os outros e vocês
Eu me sinto um estrangeiro"


terça-feira, 14 de julho de 2015

Sobre um dia de descansar...

Ela: Você vai me levar a sério?
Eu: Mas eu não levo nada a sério eu sou engraçado.
Ela: Ah! Mas a gente fica super bem junto.
Eu: A Lexi Belle e a Sasha Grey também, e elas nunca se levaram a sério ou ficaram juntas.
Ela: Mas e hoje?
Eu: Bom... Hoje é dia de carnaval do Chico. Hoje é dia de pernas de louça e bocas com sabor de maracujá ou de breja e bitucas... Hoje é sábado. Hoje podemos levar tudo a sério.
Ela: E quem vai me levar embora depois?
Eu: Eu... e o carinha que pilota o mercedes-bens.
Ela: Você nunca vai aprender a dirigir e comprar um carro?
Eu: Claro que sim. Quando nos levarmos a sério... e formos gatos...
Ela: Besta... Por que você gosta de mim? Eu sou cheia de defeitos.
Eu: Não sei o porquê de eu gostar de ti, eu só gosto. Simplesmente. Não tenho controle sobre isso, queria não gostar, mas não consigo deixar de fazê-lo.
Ela: E amanhã?
Eu: Amanhã será domingo, dia de recomeçar. Agora é sábado é dia de descansar.
Ela: E vamos descansar?
Eu: Não... isso vale para judeus... eu sou só um ateu ruim.
Ela: Eu também. Acho que agora eu consigo ficar de pé, fechar os olhos e beijar.
Eu: Eu não sei se consigo... fechar os olhos.
Ela: Então vamos se beijar de olhos abertos, ué!.
Eu: Posso olhar pros seus peitos?
Ela: Afe! Então eu vou ficar de olhos fechados.
Eu: Beleza... mulher, acho que não consigo ficar de pé...
Ela: Cala a boca e beija, como gosta de falar e enrolar... Pelo amor de Deus...

domingo, 12 de julho de 2015

Um terrível baile de mascaras



Os dedos sob as luvas procuram teclas de cores neutras, entre o branco e o preto há mais de duzentos tons de cinza.
Os dentes sob a mascara procuram não quebrar sob a pressão, entre a irritação e o repudio há mais de dez emoções.
Os olhos pretos rodeados de um branco cadavérico e um sorriso sempre disposto a contagiar gente podre diz:

"Meu nome é como essa mascara.
Chamam-me, os mais doutos, de Comédia.
Outrora eu fui Arlequim, de pó na cara e
batom nos lábios. Antes fui um Clown
de sapatos largos e seguindo a moda.
Tive por amigos dezenas de Pierrôs,
enamorei dezenas de Arlequinas.
Meu pai não sabia ler, por isso não podia conversar,
minha mãe só lia novelas, por isso nunca viveu.
Eu tiro a luva e o que tu vês:
Balas de batom e projeteis de fuzis.
Sob a mascara eu não tenho rosto,
olhe cá e me diga o que você vê? 
Neste espelho que tenho por face."

Ele aperta a gravata e se apruma, joga a cauda de seu fraque por sobre o banco e se senta em frente ao piano.

"Há uma lâmpada quebrada para cada coração neste baile... A vida é um jogo cheio de regras, mas com juízes ausentes. Luzes quebradas em um céu sujo e escarninho laçam rotas esperanças sob pessoas cegas. Dão-te uma fantasia apertada no pescoço, uma mascara com a sua própria face sorrindo e um resumo da peça. Depois te jogam no palco e pedem que improvise nesse terrível baile de mascaras."

Toca e canta:

"Acordo de manhã e não leio as noticias,
pois tudo o que importa se encontra do lado 
de dentro de mim mesmo.
Não acaricio bichanos pelo chão, não canto nas ruas,
pois somente os porcos e sujos vivem suas vidas.
Sem meus heróis televisivos não sei viver,
eu ainda não descobri que vou morrer e
não me importa saber quem mudou o mundo
com seus moinhos de vento.
Neste baile de mascarados,
não há heróis ou necessidades,
só mascaras.

"Não tenho o direito de ser triste.
Se não sorrio todo dia e não uso camisetas rosas,
obviamente, é por que não sou feliz.
E um monte de gente regada à drogas que 
entorpecem os sentidos, usando a química 
para continuar sorrindo essa vida de imbecis
me carregam ao inútil do terapeuta,
que por trinta moedas de prata vai me lamber as bolas
e mentir sobre a minha importância no mundo.
Neste baile de mascarados,
não há pessoas tristes,
só mascaras.

"Preenchendo formulários sem leitores,
vendendo a produção de outras pessoas,
mentindo sobre os resultados,
batendo pregos na tabua de madeira,
trocando as peças boas por ruins,
atendimento impessoal e a distância,
cobrando mais que o preço justo,
roubando a tinta das impressoras.
É assim que trabalhamos, dizendo aos
outros quem é o mais esperto e pode
roubar, enganar e ganhar mais.
Neste baile de mascarados,
não há trabalhadores,
só mascaras.

"Não posso amar quem meu coração pede,
pois nasci para tomar o sorvete de chocolate,
nunca o de morango.
Meus carrinhos e soldadinhos estão lá
desde a infância para me dizer do que gostar.
Quantas mais eu fodo, quantas mais abandono,
eu sou um homem. Eu fodo para mostrar
o quanto sou homem aos amigos.
Reclamo da liberdade por medo de me sentir livre.
Não sei quem sou, então quero que ninguém seja alguém.
Neste baile de mascarados,
não há homossexuais e oprimidos,
só mascaras.

"Não posso amar quem meu coração pede,
pois nasci para tomar o sorvete de morango,
nunca o de chocolate.
Minhas panelinhas e bebezinhos estão lá
desde a infância para me dizer do que gostar.
Quanto menos eu me entrego, quanto menos abandono,
eu sou uma mulher. Eu fodo para mostrar
o quanto sou mulher aos amigos.
Reclamo da liberdade por medo de me sentir livre.
Não sei quem sou, então quero que ninguém seja alguém.
Neste baile de mascarados,
não há mulheres ou feminismos,
só mascaras.

"Nasci negro e pobre, as costas de meus avôs
ainda estão marcadas com ferro.
Essa gente branca e ignorante
sempre reclamando da divisão dos direitos.
Fecho-me aqui dentro e grito meu ódio ao seu ódio.
Meritocracia é nascer rico, quem nasce pobre e negro
tem o mérito de sofrer por isso.
Neste baile de mascarados,
não há negros e méritos,
só mascaras.

"Há perversos e danosos, mas nunca veados,
judeus ou pretos neste carnaval de bastardos.
Neste vil baile de mascaras, todas brancas,
todas sorrindo, todas iguais...
Neste baile de mascarados,
não há mascaras,
só mentiras."

sábado, 11 de julho de 2015

Lá e de volta outra vez...

Mais de um ano sozinho. Pagando por algo que não tem valor para ninguém. Então uma amiga decide comemorar o fato de ter acabado a faculdade. Um barzinho no centro da terra da garoa, cerveja, amigos do trabalho e meus amigos pessoais.

Eu ando sofrendo com o que um amigo meu decidiu chamar de "consciência brutal". Um estado de auto reflexão que deve durar a vida toda. Os filmes não tem mais graça, não há surpresas no mundo, não há mais cores, só tons de cinza distribuídos em 256 tons. As coisas acontecem devido a causalidades, não devido à milagres. É difícil manter a compostura com um mundo que não quer saber de nada além de buscar a felicidade, mesmo ao custo da própria felicidade. Hodierno, é mais importante parecer feliz, sensualizar com a comida e tentar vender uma vida chata e imbecil para quem quiser comprar, mas em um mundo de vendedores de vidas vazias, não há espaço para compradores.

Por isso, é-me difícil aturar tanta frivolidade, creia-me eu já a tenho as pencas, não se fazendo necessário obter as de outrem. Um pouco de álcool e eu já quero sair da sala, sair dessa falsidade repleta de simulacros e gente com o ego do tamanho do meu. Ontem, foi-me assim. Cerveja e vontades de correr. Não é que eu não os ame. eu só não estou com muito saco para interações sociais.

Álcool na cabeça e um telefone na mão. então eu mandei mensagens para Ela. Marcamos de nos encontrar. Estávamos em bares separados por uma rua e a vontade de vê-la era grande. Talvez, foi devido a isso que eu não tinha muito saco para meus próprios amigos, os caras hão de me entender, as mulheres não...

Saí do bar e fui encontrá-la. Sempre linda, mas dessa vez com os cabelos na altura dos ombros. Bêbada como quem não quer saber do amanhã, eu não estava tão melhor assim. Andamos um pouco e em um posto comprei água e coca-cola. Ela precisava. Eu também. Não me lembro quando ela me beijou, mas me lembro de retribuir. Foi um vogar curto de línguas. Nenhum de nós estava em condições de manter a atenção entre ficar de pé, fechar os olhos e beijar. Então tiveram de ser beijos curtos e mal espaçados.

Falamos de coisas que não deveriam ser ditas. De sentimentos que não deveriam ser sentidos. E de um passado que deveria ter ficado para trás. Abraços longos e apertados. Daqueles que duas pessoas dão quando precisam sentir gente nesse mundo. Abraços de solitários. Abraços que sabiam que ali do outro lado estava uma pessoa que tem medo de se perder. Mas, que se perderam ali, um no outro. Em um ponto de ônibus ela dormiu no meu colo. Minha mão deitou sobre a sua cabeça e meus dedos se perderam naqueles fios pretos...

domingo, 28 de junho de 2015

Primeiras impressões...

Ela: Eu ficaria com você agora.
Eu: Eu sei.
Um silêncio mórbido e triste, mas eu gosto do silêncio. Ela não, e colocou o seu corpo em direção ao meu. Usei as mãos para segurá-la. O diâmetro da cintura quase me permitiu tocar os dedos da outra mão. Nos olhamos, ela estava muita agitada.
Ela: Não vai me beijar?
Eu: Vou, mas vamos devagar. Nunca mais vamos ter um primeiro beijo.
Ela: Nerd e lerdo...
Eu: Eu sou, mas também sou gênio e incrível.
Ela: Besta...

terça-feira, 23 de junho de 2015

Lie to Me - Double blind



Cal
: I was hoping You'd want to celebrate.
Naomi: Now?
Cal: Would it be too old school if I asked for a date first?
Naomi: Uh, wow.
Cal: Oh, really, no, relax. I'm just the same as most of the wankers out there. It's just that I'm tired of making the same mistake over and over again.

sábado, 20 de junho de 2015

S08E04 - Oh No! More Lemings! - Cena 1 - A Fábula

Uma bateria fazia o som de uma orquestra regada a canhões e hinos, não não era a overture 1812, era o meu celular me acordando as seis horas da manhã de um sábado. Tomei um banho e me troquei, passei na padaria da esquina e peguei uma breja (o que? Cedo demais pra ti? Fraco!). Peguei o busão e fui até o centro da cidade, andei o restante do caminho até o apê de Pedro e Penélope. Quando eu estava na esquina vi Penélope sair do prédio.

Victor: Opa!
Penélope: Oi, bom dia! Tudo bem?
Victor: Suave, e tu?
Penélope: De boas. O Pedro tá lá em cima arrumando as coisas e fechando as caixas. Sobe lá. Vou buscar meus pais e o pai do Pedro para já irmos ao apartamento novo.
Victor: Beleza.

Peguei o elevador, a porta do apê estava aberta então fui entrando. E lá estava o ser humano deitado na cama, fumando e olhando para o teto, algum desses funk carioca estava tocando. Desliguei o rádio e gritei.

Victor: Acorda preguiçoso maldito!
Pedro: Caralho velho! Mou susto.
Ambos riem.
Pedro: Já comeu?
Victor: Só tomei uma breja.
Pedro: Essa hora?
Victor: Mano, se não fosse por essa sua mudança, eu chegaria em casa por esse horário. Então de boas, meu estomago já está acostumado. Cadê todo mundo?
Pedro: Que?
Victor: “Que?” o cacete. Cadê todo mundo que vai ajudar na mudança?
Pedro: Só chamei você.

Lindo! O cara ia se mudar e não tinha um plano, as caixas estavam por fechar, os moveis ainda estavam montados e a mulher dele tinha mais sapatos do que uma loja de shopping center. Eu tenho uma pergunta para vocês: por que eu acreditei que seria um dia fácil? É do Pedro que estamos falando, ninguém é mais despreocupado com o mundo, ele me faz parecer um estrategista militar enfrentando terroristas, graças a falta de estratégia da criança. Acho que ele não pensa nos próximos dois minutos da vida dele. O que chega a ser engraçado, pois tudo para ele é motivo de surpresa. Contudo, nesse momento eu não estava rindo e nem achando graça.

Victor: Como assim só chamou a mim?
Pedro: Só você. Vamos comer algo na padaria?
Victor: Mano, tem de levar tudo para o apê novo até que horas?
Pedro: Acho que até as três da tarde.
Victor: E tu não tá nem ligando?
Pedro: Velho, eu não sei de onde vim, nem pra que estou aqui e nem pra onde vou. Pra que a pressa? (risos).
Victor: Hum... Bom ponto. Beleza, vamos para a padaria, eu preciso comer e beber alguma coisa.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

#101...

"Pô cara".

Assim começa um sábado que não vai ter nada além de estudo e horas de aflição de espirito. O tópico frasal do primeiro paragrafo remete a entrevista do Humberto Gessiger que assisti mais cedo. Gosto dele, e da poesia dele, o cara possui sua própria maneira de ver o mundo, de escrever e cantar... Foda.

Ontem e hoje foram os dias de colocar as ideias para fora. Conversei com os dois caras que me permitem um dia da semana, cada um, destilar minhas aflições. Ontem foi um dia regado a breja e conversas mais sociais. Sempre tocamos no assunto do nosso lugar no mundo e o que estamos fazendo para merecer um lugar ao sol.
Hoje foi um tratamento mais intensivo. Foi uma daquelas conversas que não acabam, que não trazem respostas, mas que dilatam tua cabeça como uma explosão. Ainda não tenho tudo definido, então falar disso será jogar um monte de ideias inacabadas no ar. Deixemos para outro dia...

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Velhos hábitos...

Ainda soa no chão aqueles pés calmos?
De onde vinha toda aquela fúria?
Lembro das canelas lisas sensualizando
como colunas e setas certeiras.
As coxas de fina relva
por onde minhas mãos passeavam.
De cintura fina e desenhada por um deus
ainda mais detalhista que eu...
De seios suspensos desafiando a gravidade,
mas não rejeitando a gravidade do meu olhar.
O latifúndio dorsal dividido em hemisférios
e não em lados, onde mãos corriam sem se dar conta.
Se a cabeça não tocava os ombros era
devido ao sinuoso pescoço que eu tanto beijará.
Aquela boca, meu deus, aquela boca
que colocava fim a turnos de sanidade com um sorriso.
Os olhos grandes, castanhos, e sempre lacônicos
como quem espera a hora se fingir dormir.
Melena que caia até as costas e
balançava o vento, e não o contrário.
Sempre aquela voz de sussurro, de partida,
nunca disse um oi, mas sempre assoprava um adeus.
Faz-me falta morena, faz-me falta
desde o dia em que nasci até a hora de dormir...

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Nada de estranho por aqui (?)


Essas semanas andam de bom a muito bom. Muitas coisas achando seu lugar e menos insanidade no dia a dia. E quando paro para pensar sobre o por quê das coisas estarem menos doidas, eu só acho uma solução: Sem mulheres. "É machismo" vão me dizer mais cedo ou mais tarde... Erh... Foda-se. Vocês são doidas e arrastam todos os tipos de vesânias com vocês. Eu poderia encher essa joça de exemplos, mas não to afim.

Esse tempo sem mulheres é difícil, mas também muito bom. Todas as vezes que eu tive de arrumar uma resposta ou fazer um plano simples dar certo foi em um período de castidade. Duvida? Veja qual foi o período de maior criação de Einstein...

Mas no fim das contas, que sempre dão erradas, é que nesse momento eu posso dizer: "Nada de errado por aqui". E cara, foi-me foi importante colocar as coisas no lugar, aprender que não importa o quanto você se importe, e queria entender os erros, algumas pessoas simplesmente querem viver, errar e sorrir de novo.

De tudo isso, que eu ainda não consigo definir e se o texto estiver confuso: supere isso, no fim o que sobrou foram um punhado de amigos, dezenas de ideias, dois projetos para cumprir até o final do ano, e pegar essa frase linda: "Você tem potencial para fazer o que quiser" e enfiar na bunda de quem o dizer de novo para mim...

Amanhã vamos conversar sobre a dobra mundos, pois a coisa mais legal da minha vida é que não importa o quanto eu seja um idiota... Elas sempre voltam... Bjos.

Abrindo uma empresa com os amigos...

Você acha um caderno velho com o nome geomancer e decide ler o primeiro tópico: "material básico da empresa"
1. Uma secretaria loira, uma morena e uma ruiva;
2. Três barras de pole dance;
3. Três notebook com warcraft 3.

Por que sera que não deu certo?

quarta-feira, 27 de maio de 2015

One Bourbon, One Scotch, One Beer (JLH)


"Well my baby's gone, she's been gone tonight
I ain't seen my baby since the night before last
I wanna get drunk, get her off of my mind
One bourbon, one scotch, and one beer"

terça-feira, 26 de maio de 2015

Há algo de podre no reino da Dinamarca...

Acho que a vida tem dessas coisas de euforia desmedida e de calmaria prosaica. Um dia tú estás a mil, tua cabeça não para de girar contra a rotação da Terra, tudo parece suspenso e fora do lugar. Ai tu acorda outro dia e parece que desligaram a gravidade, deve ser essas porradas da vida, que tu leva e depois se acostuma.

Eu tive muitas conversas por essas semanas e li muitos escritores velhos, alguma coisa deles deve ter batido em um neorônio, que deve ter batido em outro, e assim sucessivamente até que por tentativa e erro as coisas entraram no lugar. Ouvir que o mundo é assim mesmo, sempre me pareceu uma desculpa para deixar as coisas como estão, e isso não me parece boa coisa. Contudo, vamos em frente, um olho para trás e outro na estrada.

Eu até disse que ia escrever menos e pensar mais, mas acho que todo mundo tem aquela coisa de ver para crer, ou de tocar para acreditar, a minha é isso: jogar um monte de palavras em um papel branco para ler mais tarde. É minha cápsula do tempo. As vezes ofendo uma pessoa ou outra, eu me ofendo também comigo, mas eu sempre fui capaz de pedir desculpas. Então... Desculpa ai...
Parece-me que jogando as coisas assim numa tela branca, vendo os rabiscos que vão dando forma e definição até chegar em uma imagem que se possa interpretar como substantivo concreto, é o modo que eu arrumei de pensar e refletir.

Ainda não achei os verbos certos, ou onde colocar os adjetivos. Os artigos eu sempre soube usar, tanto os indefinidos quanto os definidos. As preposições e os pronomes é que são importantes para mim, eles, eu tenho de estudar mais.

Bah... as coisas estão se acertando, igual tetris, ficam caindo aquelas peças e tu tem de ir encaixando. Eu ainda não tinha visto o botão de reset e tava só olhando a tela cheia. O esquema é começar devagar, fazendo uns pontos e ir se acostumando com a velocidade, com treino acho que dá pra zerar o jogo.

Lembrei de Hamlet, impressionante como nessas semanas foi mais fácil entender o principe dinarmaques e sua simulação de loucura. No quinto ato, quando o coveiro conversa com Hamlet, e este lhe pergunta o porquê do principe ter perdido a sanidade, ao que o coveiro responde: "por acreditar que tinha perdido a razão". Engraçado como para um homem são, perder a sanidade, basta crer que perdeu a razão. G. K. Chesterton escreveu que estamos criando homens tão humildes a ponto de duvidarem da tabuada... sou orgulhoso, mas em termos de pensar, gosto de acreditar que não ou melhor nisso... mas duvidar da própria sanidade é só dar apoio a um pensamento inutil e dar oportunidade a vanilóquios. Decidi bater o pé no quesito: sou são... que estou em paz comigo mesmo, mas não em paz com os outros... vale a pena testar esse caminho...

segunda-feira, 25 de maio de 2015

S07E01: Retrovailles - Cena 7: Vida Passageira

Encontrei Guilherme na estação de trem e depois pegamos um ônibus para o cemitério. Ao chegarmos um coveiro estava cavando a última morada de alguém, auxiliado por outro coveiro.
Primeiro coveiro: E ai Jão, quem é que vai morar ai?
Segundo coveiro: Um morto.
Primeiro coveiro: Eu sei abestado, mas sabe o nome do infeliz?
Segundo coveiro: Esse não tem mais nome não. Só vão chama-lo de Saudade agora.
Primeiro coveiro: Mais cê é besta mesmo. Fica ai fazendo piada com gente morta.
Segundo coveiro: Ele não se avexa mais não. Fique sossegado.
Primeiro coveiro: Mais os parente dele vão se avexar.
Segundo coveiro: Só se cê contar. Apesar de que, eu vou negar tudo.
Nesse momento chegamos eu e Guilherme.
Primeiro coveiro: Óia, eu vou pegar uma cana pra nóis.
Segundo coveiro: Faz bem. Ainda não conheci situação que não mereça um pouco de pinga. Seja a coisa boa ou ruim, a pinga lava a garganta e permite encarar o trabalho com mais naturalidade.
Victor: (À parte, a Guilherme) Esse manja dos paranâue.
Guilherme: (À parte, a Victor) Hum.
Segundo coveiro: (Canta)
Quando eu era menino eu amava,
Os dias passavam sem eu me dar conta.
A moça que me vendia a xana,
De graça, seus beijos me dava.
Victor: (À parte, a Guilherme) E ainda é poeta e cantor. Você que gosta de poesia, Guilherme, o que acha dessas rimas?
Guilherme: (À parte, a Victor) Acho que ele é como você, só mais um perdido tentando enganar a arte com rimas, sexo e álcool.
Victor: (À parte, a Guilherme) Ah! Acabei de me lembrar por que não te trago em velórios.
Guilherme: (À parte, a Victor) Cala a boca.
Victor: (À parte, a Guilherme) Bem, vamos falar com esse nobre homem, que faz o serviço que nenhum de nós tem vontade de fazer. (Ao coveiro) Bom dia amigo. Muito trabalho?
Segundo coveiro: Bom dia. O trabalho é bastante, mas não preciso de muitos cuidados.
Victor: Cuidados com a cova?
Segundo coveiro: Oxi, e cê ta vendo eu sovando pão?
Victor: Depende do ponto de vista.
Segundo coveiro: Não depende não. Mesmo que você goste de bater em gente morta saiba que a massa não cresce mais. Até os gordos como você deixam tudo aqui para alimentar os vermes. Daqui não se tira mais nada, só os ossos daqui a três anos.
Guilherme: (À parte) Eca!
Victor: Eu sei.
Segundo coveiro: Cê se sabe, por que tá perguntando?
Victor: Curiosidade.
Segundo coveiro: Bom pra você que a curiosidade matou o gato, cê tá salvo.
Victor: Que Judas você!
Segundo coveiro: Nem quero morrer enforcado, e também não tô pensando em te vender por moeda alguma, e nem pense que vou te beijar pra te trair.
Victor: (rindo) Certo, você venceu. O que faço para comprar seu apreço?
Segundo coveiro: Pode me comprar uma cana.
Victor: Certo, vou lá.
Guilherme: Eu vou para o velório. Vocês são doidos.
Voltei com o primeiro coveiro depois de meia hora. Não me lembro de estar em condições de cantar, ou mesmo andar, mas cantamos, andamos e bebemos uma garrafa de pinga enquanto eles cavavam e eu cantava.
Victor: (Canta)
...Quando seus amigos
Te surpreendem
Deixando a vida de repente
E não se quer acreditar...
Primeiro coveiro: Podia vim mais gente como o Tio ai né?
Segundo coveiro: É... ele tava chato antes, mais pelo menos agora ele canta e não fica perguntando as coisas.
Primeiro coveiro: E ainda comprou mais um litro de cana.
Segundo coveiro: Tem isso também. Mais daqui a poco vem o povo trazer o caxão, e nóis ainda não chegamo no sete palmo.
Primeiro coveiro: Verdade. Bom deixa eu te ajudar ai então.
Segundo coveiro: Faz bem. (À Victor) Hei! Desce essa cana aqui e muda de rádio que eu não quero mais ouvir essas música de roqueiro não.
Victor: Certo. Mas, hemos de cantar o que agora?
Segundo coveiro: Não emo nada não. Essa molecada de cabelinho pro lado rebola na mandioca.
Primeiro coveiro: Certeza.
Victor: Oxi... Não entendi é nada.
Primeiro coveiro: (Ao segundo coveiro) Vai amigo puxa um Pablo e manda essa sofrência pra nóis.
Victor: Acho que a minha cota de álcool deu galera. Vou nessa, mandem um beijo nas crianças por mim (Vai embora).
Primeiro coveiro: Acho que ele quer beijar as suas crianças.
Segundo coveiro: Oxi, homem algum vai beijar as minhas bolas!
Ambos riem.