Era segunda-feira. Pouca gente vai no bar em uma segunda-feira. A maior parte das pessoas que conheço ou de quem ouvi falar leva a vida que todo mundo quer, mas eles não sabem. Não sabem que vivem o sonho. Então arrumam outros sonhos para sonhar dentro do sonho, pois alguém ou algo lhes disse que o importante é ter um sonho e ser feliz. Eu pensava nisso enquanto mijava e lia obscenidades escritas nas paredes do banheiro. Ofensas a homossexuais e a mulheres, telefones oferecendo o próprio corpo ou partes dele para pessoas que desconhecem e leem aquela merda toda. Balancei meu pau e dei descarga, lavei as mãos e as enxuguei em minhas calças. Olhei no espelho e vi um cara mais velho do que esperava. Sentei em uma mesa. Havia pelo menos uma dezena delas livres. Então escolhi uma do lado de fora. Nesses tempos, dessa minha geração fraca, ao invés de os tolos se retirarem do lugar quando eu acendo meu cigarro, jogaram-me para a calçada com leis de um povo que não deveria vir ao meu bar. Tudo bem, eles fazem a lei, eu mijo nos ideais deles.
Acendi um cigarro e esperei minha companhia chegar. Ela estava de calças jeans e com uma blusinha rosa. Quem vem a um moto clube de rosa? Foda-se, era uma boa foda para o rosa me preocupar tanto. Descartei a critica.
Ela: Você vem sempre nesse pulgueiro?
Eu: Sempre que posso.
Ela: Numa segunda? Você não trabalha não?
Eu: Trabalho. Só escolhi a minha vida e ela me permite vir ao bar em uma segunda sem ter de me preocupar com o que pensam de mim ou da minha vida.
Ela: Afe, você tem de ser sempre assim ignorante?
Eu: Só quando me ofendem sem me entender.
Ela: Tá... vamos beber o que?
Eu: Breja... e você?
Ela: Prefiro destilado.
Eu: Certo vou lá pegar algo para nós.
Sentei na cadeira do balcão e pedi uma breja e uma caipirinha com vodca. A garçonete me olhou e sorriu.
Garçonete: Amiga nova?
Eu: Mais ou menos. Já nos conhecíamos, só não saiamos juntos.
Garçonete: Ela parece gostar de você.
Eu:...
Garçonete: Você gosta dela?
Eu: Quanto mais você conhece alguém, menos razões para gostar desse alguém você tem.
Garçonete: Nossa! Então pra que sair com ela?
Eu: Foi um dia ruim. Eu precisava de companhia para vir beber e de uma mulher para passar a noite...
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