quarta-feira, 10 de junho de 2015

Velhos hábitos...

Ainda soa no chão aqueles pés calmos?
De onde vinha toda aquela fúria?
Lembro das canelas lisas sensualizando
como colunas e setas certeiras.
As coxas de fina relva
por onde minhas mãos passeavam.
De cintura fina e desenhada por um deus
ainda mais detalhista que eu...
De seios suspensos desafiando a gravidade,
mas não rejeitando a gravidade do meu olhar.
O latifúndio dorsal dividido em hemisférios
e não em lados, onde mãos corriam sem se dar conta.
Se a cabeça não tocava os ombros era
devido ao sinuoso pescoço que eu tanto beijará.
Aquela boca, meu deus, aquela boca
que colocava fim a turnos de sanidade com um sorriso.
Os olhos grandes, castanhos, e sempre lacônicos
como quem espera a hora se fingir dormir.
Melena que caia até as costas e
balançava o vento, e não o contrário.
Sempre aquela voz de sussurro, de partida,
nunca disse um oi, mas sempre assoprava um adeus.
Faz-me falta morena, faz-me falta
desde o dia em que nasci até a hora de dormir...

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