Uma bateria fazia o
som de uma orquestra regada a canhões e hinos, não não era a overture 1812, era o meu celular me
acordando as seis horas da manhã de um sábado. Tomei um banho e me troquei,
passei na padaria da esquina e peguei uma breja (o que? Cedo demais pra ti? Fraco!).
Peguei o busão e fui até o centro da cidade, andei o restante do caminho até o
apê de Pedro e Penélope. Quando eu estava na esquina vi Penélope sair do
prédio.
Victor: Opa!
Penélope: Oi, bom
dia! Tudo bem?
Victor: Suave, e tu?
Penélope: De boas. O
Pedro tá lá em cima arrumando as coisas e fechando as caixas. Sobe lá. Vou
buscar meus pais e o pai do Pedro para já irmos ao apartamento novo.
Victor: Beleza.
Peguei o elevador, a
porta do apê estava aberta então fui entrando. E lá estava o ser humano deitado
na cama, fumando e olhando para o teto, algum desses funk carioca estava tocando. Desliguei o rádio e gritei.
Victor: Acorda
preguiçoso maldito!
Pedro: Caralho
velho! Mou susto.
Ambos riem.
Pedro: Já comeu?
Victor: Só tomei uma
breja.
Pedro: Essa hora?
Victor: Mano, se não
fosse por essa sua mudança, eu chegaria em casa por esse horário. Então de
boas, meu estomago já está acostumado. Cadê todo mundo?
Pedro: Que?
Victor: “Que?” o
cacete. Cadê todo mundo que vai ajudar na mudança?
Pedro: Só chamei
você.
Lindo! O cara ia se
mudar e não tinha um plano, as caixas estavam por fechar, os moveis ainda
estavam montados e a mulher dele tinha mais sapatos do que uma loja de shopping center. Eu tenho uma pergunta
para vocês: por que eu acreditei que seria um dia fácil? É do Pedro que estamos
falando, ninguém é mais despreocupado com o mundo, ele me faz parecer um
estrategista militar enfrentando terroristas, graças a falta de estratégia da
criança. Acho que ele não pensa nos próximos dois minutos da vida dele. O que
chega a ser engraçado, pois tudo para ele é motivo de surpresa. Contudo, nesse
momento eu não estava rindo e nem achando graça.
Victor: Como assim
só chamou a mim?
Pedro: Só você.
Vamos comer algo na padaria?
Victor: Mano, tem de
levar tudo para o apê novo até que horas?
Pedro: Acho que até
as três da tarde.
Victor: E tu não tá
nem ligando?
Pedro: Velho, eu não
sei de onde vim, nem pra que estou aqui e nem pra onde vou. Pra que a pressa? (risos).
Victor: Hum... Bom
ponto. Beleza, vamos para a padaria, eu preciso comer e beber alguma coisa.
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