Acho que a vida tem dessas coisas de euforia desmedida e de calmaria prosaica. Um dia tú estás a mil, tua cabeça não para de girar contra a rotação da Terra, tudo parece suspenso e fora do lugar. Ai tu acorda outro dia e parece que desligaram a gravidade, deve ser essas porradas da vida, que tu leva e depois se acostuma.
Eu tive muitas conversas por essas semanas e li muitos escritores velhos, alguma coisa deles deve ter batido em um neorônio, que deve ter batido em outro, e assim sucessivamente até que por tentativa e erro as coisas entraram no lugar. Ouvir que o mundo é assim mesmo, sempre me pareceu uma desculpa para deixar as coisas como estão, e isso não me parece boa coisa. Contudo, vamos em frente, um olho para trás e outro na estrada.
Eu até disse que ia escrever menos e pensar mais, mas acho que todo mundo tem aquela coisa de ver para crer, ou de tocar para acreditar, a minha é isso: jogar um monte de palavras em um papel branco para ler mais tarde. É minha cápsula do tempo. As vezes ofendo uma pessoa ou outra, eu me ofendo também comigo, mas eu sempre fui capaz de pedir desculpas. Então... Desculpa ai...
Parece-me que jogando as coisas assim numa tela branca, vendo os rabiscos que vão dando forma e definição até chegar em uma imagem que se possa interpretar como substantivo concreto, é o modo que eu arrumei de pensar e refletir.
Ainda não achei os verbos certos, ou onde colocar os adjetivos. Os artigos eu sempre soube usar, tanto os indefinidos quanto os definidos. As preposições e os pronomes é que são importantes para mim, eles, eu tenho de estudar mais.
Bah... as coisas estão se acertando, igual tetris, ficam caindo aquelas peças e tu tem de ir encaixando. Eu ainda não tinha visto o botão de reset e tava só olhando a tela cheia. O esquema é começar devagar, fazendo uns pontos e ir se acostumando com a velocidade, com treino acho que dá pra zerar o jogo.
Lembrei de Hamlet, impressionante como nessas semanas foi mais fácil entender o principe dinarmaques e sua simulação de loucura. No quinto ato, quando o coveiro conversa com Hamlet, e este lhe pergunta o porquê do principe ter perdido a sanidade, ao que o coveiro responde: "por acreditar que tinha perdido a razão". Engraçado como para um homem são, perder a sanidade, basta crer que perdeu a razão. G. K. Chesterton escreveu que estamos criando homens tão humildes a ponto de duvidarem da tabuada... sou orgulhoso, mas em termos de pensar, gosto de acreditar que não ou melhor nisso... mas duvidar da própria sanidade é só dar apoio a um pensamento inutil e dar oportunidade a vanilóquios. Decidi bater o pé no quesito: sou são... que estou em paz comigo mesmo, mas não em paz com os outros... vale a pena testar esse caminho...
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