Ao chegar na porta do bar e me sacudir como um cachorro são bernardo vi Denise, minha garçonete abusada favorita e minha graduanda de psicologia favorita.
Denise: Olha se não é o bêbado conhecido.
Victor: Nolo episcopari.
Denise: Chovendo muito lá fora?
Victor: Não mais, trouxe a chuva para dentro.
Denise: No bar de quarta-feira?
Victor: Hoje é quarta?
Denise: (risos) É. Você não sabia?
Victor: Não, só sei que faltam mais dois dias para passar outros dois dias em casa.
Denise: Hum.
Ela fez aquela cara comum de quem concorda por não entender que já conhecemos.
Denise: Vai beber uma só?
Victor: Por hora...
Ela abriu a geladeira e pegou uma Heineken. Apesar de ser abusada ela é extremamente gentil, ainda mais em me conhecer a ponto de só me pedir um número, que eu forneço e ela põe em Heinekens na mesa, mas hoje ela colocou no balcão. Sentei-me numa dessas cadeiras altas de quatro pés, apoiei os braços sobre a mesa, peguei a garrafa e dei um gole longo na cerveja gelada nesse dia frio.
Denise: Cê tava sumido.
Victor: Estava trabalhando a noite.
Denise: Você trabalha com o que mesmo?
Victor: Em um laboratório.
Denise: Nossa! Sempre soube que você tinha mais que só cara de nerd.
Victor: Não só a cara, mas todo o restante também. Denise... desce um uísque cowboy.
Denise: Nossa! Nunca vi você tomar uísque.
Victor: Hoje é um dia especial.
Denise: O que aconteceu de tão especial para você querer beber uísque?
Victor: Um Déjà vu e eu não sei se estou sonhando ou acordado.
Denise: Sei... Tipo o gato de Schweppes.
Victor: Esse mesmo.
E concordei por não saber se ela se confundiu por trabalhar em um bar e viver perto desse refrigerante ou se ela queria parecer esperta e acabou se atrapalhando.
Denise: Quer conversar?
Victor: Ainda não.
Achei melhor esperar o Pedro para conversar, ela já me parecia muito confusa com um papo sobre uísque e ambos os gatos alemães, Schweppes e Schrödinger. Pedro levou quase uma hora para chegar.
Pedro: E aê mano! Como é que cê tá?
Victor: Mais ou menos.
E lhe contei toda a história desde manhã, desde a hora em que levei um fora e minha conversa com guilherme à tarde.
Pedro: Que foda cara, mas fica assim não velho, ela não valia a pena.
Victor: Começo a achar que nenhuma delas vale.
Pedro: Não seja ridículo, seu ridículo. Tem uma pá de mulher gata e interessante por ai. Logo, logo você se arruma.
Victor: Nem quero mais, por hora o esquema é pensar no que ando fazendo.
Pedro: Cê tem é de parar de pensar velho. Tá na hora de fazer as coisas acontecerem.
Victor: Pensar é como andar na chuva, né?
Pedro: Então cê tá pensativo pra caráio.
Toquei meu ombro, eu ainda estava ensopado da chuva. Puxei a camiseta e ela voltou a minha pele com aquele som característico de quem é feito de borracha. Olhei para o maldito do Pedro. Ambos rimos.
Pedro: Ow, cê tá tomando uísque mano?
Victor: Pois é, foi a Denise quem me deu.
Denise chegou perto da mesa e entregou o cardápio nas mãos de Pedro.
Pedro: Breja ou uísque?
Denise me olhou e esbouçou um sorriso daqueles que pessoas mancomunadas, amantes e amigos de longa data possuem.
Denise: Outro gato de Schweppes?
Victor (rindo): Pois é...
A garçonete abusada saiu com o pedido de Pedro e este me olhou nos olhos.
Pedro: Gato do que?
Victor: Véio, não faço ideia.
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