Acho que eu nunca conversei com vocês de verdade. Só fiquei
aqui jogando minhas ideias regadas à álcool e mulheres malucas em vocês. Eu
iria pedir desculpas por isso, mas me lembrei que não posso, pois são essas
duas coisas que sofrem combustão no meu peito e mo permitem escrever esse monte
de palavras sem sentido e sem esperanças... pois é, descobri que escrevo sobre
mulheres que não terei e reinos na minha cabeça.
Parece-me que a razão de eu ler a Playboy é a mesma de eu ler a National
Geographic, somente para ver lugares que eu nunca irei... Mas e você? O que
você faz por aqui? Bom, não importa muito, talvez você seja uma daquelas
pessoas que só querem passar um tempo rindo de um cara que não acha o ângulo
para ficar de pé, mas encontrou todos os outros que nós fazem cair.
Enfim, como eu não comecei esse texto com proposições não o
hei de terminar com uma conclusão, sem silogismos hoje, mas com um
agradecimento e um aviso: Eu ando meio que procurando olarias, então eu ando
sem tempo para refletir sobre os tijolos que estou fazendo, e acabei por jogar
um monte de argila e água fria sem medir as quantidades. Dessa forma, eu vou
tentar construir um muro por semana (e nada de achar que pode ficar em cima
dele, aqui não é lugar para isso. Que? Estás louco? Sou eu quem dito as regras
aqui! É igual naquela frase da torre do relógio da USP. Essa mesmo. “No mundo da imaginação dar nome é criar”,
essa mesmo). Ficar erguendo um monte de muros sem fundações está me custando a
paciência e o tempo de temperar os tijolos, além de uns amigos mais
inteligentes que eu ficarem dizendo que não dá para “concluir ou se aproveitar
um raciocínio lógico seu” e “suas proposições estão erradas, seu
desenvolvimento está errado, sua conclusão está errada. Logo, não há nada que
se aproveite de suas ideias. Você defende o indefensável Rodolfo”... É não tá
fácil para mim também.
Ainda tenho dois planos para cumprir esse ano (e não nenhum
deles envolve ficar rico, esse era o terceiro plano, mas me lembrei que não é
disso que ando precisando, e também não é sobre mulheres, esse era o quarto,
mas as coisas não andaram muito bem do começo do ano para cá com elas.
Deixemo-las seguir suas ruas de flores e espelhos prateados) e os dois envolvem
mais tempo que qualquer outro recurso que eu possa ter. Também estou precisando
rever algumas notas sobre amizades, elas ficaram muito mais complicadas nos
últimos dez anos. É gente saindo e entrando na minha vida sem controle algum,
ou critério, ou razão, ou sentido, ou [preencha com sua insanidade favorita].
Eu não me lembro de ter dado adeus a um amigo antes dele me dar adeus, se ele
segurar a minha mão, eu vou continuar segurando a dele. Eu entendo que a vida
segue e prioridades vem e vão, mas existe alguns ideais que não deveriam ser
abandonados... cof-cof lealdade cof-cof.
Ficamos assim então. Vocês seguem a vida de vocês e
continuam estragando esse mundo e eu continuo fingindo que tudo não me irrita.
E muito obrigado por virem aqui de vez em quando, a chave ainda está na máquina
de lavar, se precisar conversar é só chegar, pegar a chave e entrar, mas não se
esqueça de trazer um pack de breja (lager, por favor). Mi casa su casa. O que posso dizer hoje é uma frase de um pensador
moderno muito importante para a nossa cultura e filosofia contemporânea: “Po-po-po-por
hoje é só pe-pe-pe-pessoal!”. Brincadeiras à parte ouça essa música e vá
procurar a tradução se não sacar de uma vez tudo, para de ser como todo mundo e
querer as mesmas coisas que eles, sua mãe já te disse que você não é todo
mundo, seja menos preguiçoso e vá procurar a letra. São meus sinceros votos, e da Joan também, para todo mundo que for humano, mamífero,
cordado e triblástico, espero que você se encaixe na descrição...
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