Talvez, nesse mundo destilado a pré-conceitos e de pinturas faciais haja aqueles que ainda tem por medida do mundo uma tábua no coração. Eu, depois de crescido, passei a não gostar do "mundo todo". É muita coisa para se ver e pessoas para se conhecer, tu acabas por não entender o que tem da porta de tua casa para fora e, também, o que tem da porta para dentro. O pior é que acabei por ler um monte de livros, ouvir um monte de pessoas e ver um mundo que não cabe dentro do meu quarto (antes não cabia dentro da minha casa, ai mudei para a casa de mamãe e meu espaço ficou ainda menor para abarcar esse mundão), e tem essas coisas de epifanias. Um dia tu acorda e descobre alguma verdade pessoal. Uma das minhas é que esse mundo todo não cabe no meu quarto.
Ontem fui ver um amigo. História engraçada essa, pois ele me disse que tinha medo de mim na escola (sou mais velho que ele e uma amiga me disse que sou mais velho que todo mundo, então devo ser velho mesmo... e minhas costas que o digam...), que meu jeito o deixava com vergonha alheia, e pensando bem, eu hoje tenho "vergonha alheia" daquela época. Ontem, conversamos sobre pessoas... eu sei que é feio, que pessoas inteligentes falam de eventos e não de pessoas, mas acho que ambos precisávamos exorcizar algumas coisas. Bebemos e falamos desse mundo, lembro-me de lhe dizer que ninguém está fazendo nada importante, e não estamos, sério. Eu acordo de madrugada e vou trabalhar, passo algumas horas das tarde estudando e durmo sem ter mudado nada desse mundo que me viu nascer há trinta anos...
Eu tenho bons amigos, e um deles me ligou por esses dias, estava lamentando a vida que leva, a mulher com quem casou e o trabalho que executa. Ele ganha mais dinheiro que eu, mora melhor que eu, quiçá, vive melhor que eu, mas não tem paz dentro de si. Conversei com ele e tentei o fazer ver o lado bom das coisas, mesmo que eu não goste de ver o lado bom, nem o ruim, prefiro ver o todo. Não que eu consiga sempre ver, ou acho que vejo e não é verdade. Contudo, eu tento, e aprendi com um químico que: "Trabalhamos com o que temos".
Outro dia estava conversando no shopping, com outro amigo, e falávamos de selfies, talvez essa seja a pior moda que inventamos depois do funk carioca... Outrora apontávamos a câmera para registrar o mundo e os momentos, hoje registramos nossas cabeças em primeiro plano e o mundo em segundo, não há momentos mais, há nossa cabeça em diferentes ambientes, e depois colocamos essa cara que todo mundo vê em redes sociais e esperamos pelo que? Que gostem de nossas cabeças com fundos alternados? Que comentem o quanto tu estas bonito? Não entendo, mas eu sou velho por maioria de votos e pela dor nas costas. Eu posso ser chato. Excluí o Facebook e joguei a televisão fora... Meu quarto é maior que o mundo.
Um dia eu aprendi que temos de medir o mundo por nós mesmos, que somos a régua que compara as distâncias, os pesos e as medidas, que devemos ser nosso próprio IPEM. Contudo, "Já ouvi falar também, e muito, de como você se pinta. Deus te deu uma cara e você faz outra. E você ondula, você meneia, você cicia, põe apelidos nas criaturas de Deus, e procura fazer passar por inocência a sua volúpia. Vai embora, chega, foi isso que me enlouqueceu". Eu meço o mundo por mim e meus amigos, todos eles cabem no meu quarto, junto dos meus livros e discos.
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