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| Galileo diante do Santo Ofício de Joseph-Nicolas |
Reza a lenda que Galileu teve de negar todas as suas ideias sobre o heliocentrismo, mas que em um ultimo momento sussurrou um: "no entanto ela se move". Se ele não fez isso e a história o rendeu essa saída de mestre, não sabemos, mas eu prefiro dizer que sim, que em um momento de maestria enquanto era levado para fora do Santo Oficio ele se virou para a câmera e sussurrou: "Eppur si mouve..." e sobem os créditos sob o sorriso maroto de alguém que sabia que a história não terminaria ali.
Já nosso amigo Giordano Bruno não teve a mesma sacada, mas teve a audácia. Ser audaz é uma característica de poucos e talvez ainda mais daqueles que já se encontram encurralados. Contudo, dizer para a galera do Santo Ofício um: "Maiori forsan cum timore sententiam in me fertis quam ego accipiam" ("Talvez sintam maior temor ao pronunciar esta sentença do que eu ao ouvi-la") já seja de bom grado. Dá-lhe Brunão! Grita um mano em meio a galera e depois pula pela janela.
E eu? O que tenho a ver com isso? Bem talvez eu também tenha de defender o que digo às vezes, pois sempre há quem não acredite em nossas palavras. Há quem não acredite que o que disse era verdade, que naquele momento que podia ser eterno como o eterno de Carlos Drummond de Andrade, eu disse o que sentia e o que estava disposto a tentar. Contudo as vezes nos condenam por duvidar do novo, do simples e do possível e vem aquela vontade insana de gritar: "Maiori forsan cum timore sententiam in me fertis quam ego accipiam" e esperar alguém no meio da multidão bradar um "Dá-lhe Rodolfão!" e pular a janela do oitavo andar...
Mas a vida segue, ela dá voltas e reviravoltas e chega uma hora em que estamos tão cansados de dizer o que pensamos que escolhemos só aceitar e dizer em soslaio e com o canto da boca: eppur si mouve... tem seu charme vai...

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