terça-feira, 28 de abril de 2015

Meu quarto é maior que o mundo...

Talvez, nesse mundo destilado a pré-conceitos e de pinturas faciais haja aqueles que ainda tem por medida do mundo uma tábua no coração. Eu, depois de crescido, passei a não gostar do "mundo todo". É muita coisa para se ver e pessoas para se conhecer, tu acabas por não entender o que tem da porta de tua casa para fora e, também, o que tem da porta para dentro. O pior é que acabei por ler um monte de livros, ouvir um monte de pessoas e ver um mundo que não cabe dentro do meu quarto (antes não cabia dentro da minha casa, ai mudei para a casa de mamãe e meu espaço ficou ainda menor para abarcar esse mundão), e tem essas coisas de epifanias. Um dia tu acorda e descobre alguma verdade pessoal. Uma das minhas é que esse mundo todo não cabe no meu quarto.

Ontem fui ver um amigo. História engraçada essa, pois ele me disse que tinha medo de mim na escola (sou mais velho que ele e uma amiga me disse que sou mais velho que todo mundo, então devo ser velho mesmo... e minhas costas que o digam...), que meu jeito o deixava com vergonha alheia, e pensando bem, eu hoje tenho "vergonha alheia" daquela época. Ontem, conversamos sobre pessoas... eu sei que é feio, que pessoas inteligentes falam de eventos e não de pessoas, mas acho que ambos precisávamos exorcizar algumas coisas. Bebemos e falamos desse mundo, lembro-me de lhe dizer que ninguém está fazendo nada importante, e não estamos, sério. Eu acordo de madrugada e vou trabalhar, passo algumas horas das tarde estudando e durmo sem ter mudado nada desse mundo que me viu nascer há trinta anos...

Eu tenho bons amigos, e um deles me ligou por esses dias, estava lamentando a vida que leva, a mulher com quem casou e o trabalho que executa. Ele ganha mais dinheiro que eu, mora melhor que eu, quiçá, vive melhor que eu, mas não tem paz dentro de si. Conversei com ele e tentei o fazer ver o lado bom das coisas, mesmo que eu não goste de ver o lado bom, nem o ruim, prefiro ver o todo. Não que eu consiga sempre ver, ou acho que vejo e não é verdade. Contudo, eu tento, e aprendi com um químico que: "Trabalhamos com o que temos".

Outro dia estava conversando no shopping, com outro amigo, e falávamos de selfies, talvez essa seja a pior moda que inventamos depois do funk carioca... Outrora apontávamos a câmera para registrar o mundo e os momentos, hoje registramos nossas cabeças em primeiro plano e o mundo em segundo, não há momentos mais, há nossa cabeça em diferentes ambientes, e depois colocamos essa cara que todo mundo vê em redes sociais e esperamos pelo que? Que gostem de nossas cabeças com fundos alternados? Que comentem o quanto tu estas bonito? Não entendo, mas eu sou velho por maioria de votos e pela dor nas costas. Eu posso ser chato. Excluí o Facebook e joguei a televisão fora... Meu quarto é maior que o mundo.

Um dia eu aprendi que temos de medir o mundo por nós mesmos, que somos a régua que compara as distâncias, os pesos e as medidas, que devemos ser nosso próprio IPEM. Contudo, "Já ouvi falar também, e muito, de como você se pinta. Deus te deu uma cara e você faz outra. E você ondula, você meneia, você cicia, põe apelidos nas criaturas de Deus, e procura fazer passar por inocência a sua volúpia. Vai embora, chega, foi isso que me enlouqueceu". Eu meço o mundo por mim e meus amigos, todos eles cabem no meu quarto, junto dos meus livros e discos.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Moral da história...

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Amigos do Vini, mas para a amiga que reconheci...

Um dia a maioria de nós irá separar-se
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas
que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos
que partilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia,
das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano,
enfim… do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum
desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe…nas cartas que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices…
Aí, os dias vão passar, meses…anos… até este contacto se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo….
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão:
- “Quem são aquelas pessoas?”
Diremos…que eram nossos amigos e…… isso vai doer tanto!
“Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!”
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente……
Quando o nosso grupo estiver incompleto…
reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.
E, entre lágrima abraçar-nos-emos.
Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo…..
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades….
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos
os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!”

(Vinicius de Moraes)

E vale para aquela doida que anda por ai achando que não é importante na vida desse bêbado vadio em busca do réquiem... 
Que acha bonito me chamar de Co Co em meio a gente...
Não são necessárias desculpas nunca, basta um cigarro, um muro para se encostar, um café sem açúcar e as conversas para matar o tempo e relaxar a importância que tu téns.
Obrigado por ser minha amiga...

Eppur si muove!

Galileo diante do Santo Ofício de Joseph-Nicolas

Reza a lenda que Galileu teve de negar todas as suas ideias sobre o heliocentrismo, mas que em um ultimo momento sussurrou um: "no entanto ela se move". Se ele não fez isso e a história o rendeu essa saída de mestre, não sabemos, mas eu prefiro dizer que sim, que em um momento de maestria enquanto era levado para fora do Santo Oficio ele se virou para a câmera e sussurrou: "Eppur si mouve..." e sobem os créditos sob o sorriso maroto de alguém que sabia que a história não terminaria ali.

Já nosso amigo Giordano Bruno não teve a mesma sacada, mas teve a audácia. Ser audaz é uma característica de poucos e talvez ainda mais daqueles que já se encontram encurralados. Contudo, dizer para a galera do Santo Ofício um: "Maiori forsan cum timore sententiam in me fertis quam ego accipiam" ("Talvez sintam maior temor ao pronunciar esta sentença do que eu ao ouvi-la") já seja de bom grado. Dá-lhe Brunão! Grita um mano em meio a galera e depois pula pela janela.
E eu? O que tenho a ver com isso? Bem talvez eu também tenha de defender o que digo às vezes, pois sempre há quem não acredite em nossas palavras. Há quem não acredite que o que disse era verdade, que naquele momento que podia ser eterno como o eterno de Carlos Drummond de Andrade, eu disse o que sentia e o que estava disposto a tentar. Contudo as vezes nos condenam por duvidar do novo, do simples e do possível e vem aquela vontade insana de gritar: "Maiori forsan cum timore sententiam in me fertis quam ego accipiam" e esperar alguém no meio da multidão bradar um "Dá-lhe Rodolfão!" e pular a janela do oitavo andar...

Mas a vida segue, ela dá voltas e reviravoltas e chega uma hora em que estamos tão cansados de dizer o que pensamos que escolhemos só aceitar e dizer em soslaio e com o canto da boca: eppur si mouve... tem seu charme vai...

quinta-feira, 16 de abril de 2015

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Hershey's: uma lição de vida...

Texto de Fidelidade

Lembro-me que uma vez uma amiga me disse: "Deus te fez especial, mas fez você para você mesmo." Eu fiquei chateado, desanimado, sem vontade de cantar uma bela canção. Contudo, eu segui em frente rindo meu riso e derramando meu pranto exatamente com o Vini me ensinou. Os anos passaram (e, cara, como eles passam rápido... um dia tu estás fazendo piada na escola e depois está fazendo piadas em bares) e agora eu me lembro dessa frase de minha amiga. Ela está casada e com dois filhos e eu... eu sou eu.
É engraçado que, mesmo com os sentimentos esmorecidos, ainda haja essa coisa de se achar digno de ser feliz. Mano... quantos crimes estão em sua consciência? Descobri que ser feliz é esquecer essas coisas, pois é mais fácil se perdoar. Assim como descobrir que rir é traduzir a felicidade em movimento. Eu cresci com uns caras bem diferentes. Sempre que vou conversar com alguém que não tive contato tenho de medir a pessoa antes. Sempre acho que eles estão em um nível maior que o meu, talvez por eu ter tido sonhos grandes e não fui atrás deles. Sempre aqui... esperando a dançarina do efêmero, a rainha de copas, a que dobra estrelas com as mãos nuas só por que pode.

E hoje eu levei um fora e estou chateado (é até triste dizer, mas não dói só chateia). É uma mulher que tem qualquer coisa de dança, de legal, de engraçada e muito bonita, desafina lindo e mais importante: faz-me rir. Ela não acredita em minha honestidade, diz que minhas palavras são para todas, mas não é assim, sabemos que minhas palavras são só isso mesmo: palavras. Que eu não canto com qualquer mulher, que eu não permito que vejam do que mais gosto... O problema não são minhas palavras e sim o sentimento que sempre tive... As palavras ditas a outrem machuca quem as queria ouvir, deve ser isso, mas eu tive vontade de aprender novos caminhos, novos verbetes e outra métrica para meus textos... É a primeira vez que não quero terminar de escrever... acho que não preciso de palavras ao vento agora, de gritos calados ou falar dela... 


Mas, se ela arrumar um cara mais legal que eu, eu posso bater nele não posso? Não que ele não seja gente boa... é mais uma pegada daquelas de sociedade secreta quando um cara da um tapa na cara do outro depois de dizer um monte de juras e promessas (coisas essas que um homem só deveria dizer a sua mulher) para que o outro não se esqueça de tudo o que ele disse. Bato nele para que ele não esqueça que eu me sensibilizo com a pequena dele e que ele não se esqueça que eu ainda estou por aqui... nem ela se esqueça...


Sobra ouvir o Vini... se não temos o que desejamos podemos não nos esquecer de como queremos né?



Beijos nas crianças...
(Segura mais um pouco filha, ainda arrumamos uma mãe pra ti... Agora vai brincar que teu pai ainda tem de estudar hoje...)



terça-feira, 7 de abril de 2015

Meninas...


Por esses dias eu estive de volta a sétima série. Imagina um monte de mulheres na casa dos 30 te dizendo que uma mulher está a fim de ti. Agora lembre-se da sétima série, quando aquela menina estava a fim de ti e todas as amigas dela ficavam te importunando para que você fique com ela. Bem vindos a minha casca de noz!

Mulheres, mesmo com todos os seus defeitos, impaciência e inexatidão ainda são a última e melhor obra da criação, de toda ela.Elas possuem aquela coisa de fazer de homens tão espertos como eu virarem só garotos...
Quando criança elas eram a coisa mais distante de mim, talvez devido ao fato delas se preocuparem mais cedo com relacionamentos. Quando cheguei a adolescência houve uma convergência de interesses, então nos aproximamos e começaram os primeiros afetos, os primeiros amores, as primeiras mãos dadas, o primeiro beijo, a primeira mão nos peitos...
Demorei muito para me tornar um homem, até mais do que meu pai demorou. Toda aquela magia que havia nelas não morreu em mim, mas diminuiu muito. Por um lado foi bom, elas deixaram de ser seres com barreiras especiais de defesa, mas por outro se tornaram mais ordinárias, em ambos os sentidos. Não estou dizendo que elas não podem ser o que quiserem, por que podem. E elas podem tanto, que a única forma de eu andar de tricycle é se elas mo permitirem...


Isso me irritou muito, mas muito mesmo. Tenho, quase, certeza que já fiquei com mais meninas do que elas. Creio que não preciso de ajuda para abordar uma mulher e beijá-la.

Só quero dizer que um pouco da magia se foi, que a grama não fica mais verde quando elas chegam, que o azul do céu fica um pouco mais claro e que o perfume delas não me ensandece como antes...
Talvez a culpa seja minha, talvez eu tenha deixado a vida me dar umas porradas e não quis bater de volta. Mas a razão eu não sei... O que sei é que ao invés de um monte de mulher me dizendo com quem eu devo sair era melhor ter voltado o Guns N' Roses com a formação original ou o Dip n' Lik...