terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Defendendo o óbvio


Bertolt Brecht nos dá uma clara dúvida do que anda a acontecer com esse país, mas será que se limita a isso, ao país? "Que tempos são estes, em que temos que defender o óbvio?"

Esse momento de transição constante da humanidade reflete a pergunta que gera ansiedade em todos os seres cordados, triblásticos e humanos que conheço, conheci ou hei de conhecer... "Para onde vamos?". Obviamente para lugar algum, bom pelo menos todos nós hemos de morrer de uma forma ou de outra, e não se engane, pois morrer é um verbo intransitivo, portanto, não importa para onde vamos e sim que legado vamos deixar aos nossos filhos.

Eu sei que a questão parece abarcar toda a humanidade, no entanto não é o que se sucede. As pessoas que conheço estão sempre se preocupando em parecer boas e justas. Elas dizem ao mundo isso o tempo todo, como uma criança que diz uma mentira até se convencer dela, mas somos adultos aqui certo?... Certo?... Beleza, vamos prosseguir. Quando alguém faz a pergunta "Para onde vamos?", de maneira geral, está falando de si própria. Theodore Dalrymple escreveu em seu livro Podres de Mimados algo assim, se amanhã te dissessem que iria morrer milhares de crianças na Africa você ficaria triste, mas se te dissessem que iam arrancar a falange de seu dedinho amanhã você não dormiria essa noite. Com posse desse argumento eu duvido muito que a pergunta não se trate do emissor e a sua preocupação consigo próprio...

Vivemos tempos conturbados desde Junho de 2013, onde um monte de gente saia as ruas para protestar contra o governo, mesmo que o mote tenha sido os R$0,20 de aumento da passagem de ônibus aqui em Sampa havia muito mais do que esse quinto de real a ser discutido e protestado. Sai as ruas visando mais do que vinte centavos.

(Aqui cabe um adendo: Não vivemos tempos conturbados desde 2013, mas desde que um humano descobriu que tinha polegares opositores, capacidade de abstrair (não vou usar um termo pesado como pensar, seria um insulto aos pensadores... Não, não aquele do Rhodin, mas os de carne e osso) e de tomar do semelhante o que, por razões óbvias, é seu por direito! - Sarcasmo, explicando para os que não me entenderem - O mundo é um lugar estranho, cheio de pessoas, visões de mundo e rugosidades (as rugosidades de Milton Santos). Essas diferenças se acumulam social, financeira, espacial e temporalmente. Portanto, para fechar esse parenteses, eu sei que as diferenças são idiossincráticas e de origens complexas, assim me limitarei a escrever sobre o tempo em que vivemos... Certo?... Certo? Tá, sigamos esse comboio de cordas chamado coração.)

O "Gigante pela própria natureza" está saindo as ruas, exercendo o seu direito democrático, mas há uma discrepância nas pessoas que saem as ruas. Outrora saíamos depois do trabalho, em quintas-feiras, pois "A vida é trânsito. É dia útil. Não é domingo" (Consuelo de Castro). Hodierno, os protestos são aos domingos, com pessoas tirando fotos, tomando sorvete, passeando na Avenida Paulista... Tudo bem, tudo bem... Eles tem esse direito e o de falar o que quiserem também... Cá entre nós, concordamos com Voltaire, certo? Certo. Contudo, os protestos ficaram mais gourmet. Com pessoas desfilando na Paulista em trajes Amarelo CBF (CBF: um exemplo de transparência, onde desvios de dinheiro não ocorrem) e exigindo ações contra a corrupção. Parece que o mascote da Sadia vai sair na rua no período de natal. Os vermelhinhos também não me agradam. Eles defendem um governo que estava podre por dentro - como se não houvesse nada a Temer deste que o sucede (A-ha) - onde a economia do "impávido colosso" foi tratada com descaso e agora estamos vendendo o almoço para comprar a janta. Voltemos ao título desse texto.

O povo sai as ruas para defender o óbvio para todo mundo menos para os que estão em Brasilia. Eu fui lá uma vez. É um lugar quente pacas e setorizado, setorizado meu deus, se você precisa ir em uma padoca comprar pães, provavelmente terá de se descolar até o setor de panificação, que provavelmente estará do outro lado da cidade, pois a cidade foi desenhada em forma de avião... isso... o mesmo veiculo que Murphy usou para fundamentar as suas leis. O que explica um bocado de coisas que por lá acontecem. A parte engraçada dessa história é que o "Salve!, Salve!" é uma democracia representativa e explica muito do por quê os políticos roubarem tanto o governo quanto as pessoas roubam meias entradas no cinema com carteiras de estudante falsas.

Os protestos que andam ocorrendo não representam mais a minha visão de mundo, menos ainda os políticos que gerem esse país. Não tenho mais vontade sair as ruas ou exercer o meu direito obrigatório durante o show da democracia. Vejo essas pessoas na rua aos domingos, como Hércules (e como colocar plural em uma palavra que termina com "s", Herculeses?) cortando as cabeças da hidra, mas não vejo Iolaus algum botando fogo na floresta para cauterizar as feridas (ainda bem que não havia Greenpeace nessa época Iolaus)... Defendo assim o meu #nãovouparaarua... Não adianta cortar cabeças quando duas delas nascem em seu lugar... O problema não é o sistema, mas as pessoas que colocamos no poder para nos governar.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

É isso o que eu faço...


segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Indo trabalhar...


As vezes nós não nos encontramos com a maioria.
As ideias que permeiam a tua cabeça são diferentes das que permeiam a cabeça dos outros.
O modo como eles nadam, não é modo como tu nadas.
Aquele povo todo indo em direção das massas, não é teu estilo.
Então você levanta a cabeça e tenta ver mais a frente.
Lá não é o lugar que quero estar.
Meu lugar não é além.
Meu lugar é aquém.

sábado, 30 de julho de 2016

Feliz aniversário 3.2...

Eu estava aqui pensando no dia que se seguiu e na vontade de os dizer o quanto me fora especial, mas eu me lembrei que aquele dia foi meu. Que eu não devia lhes dizer o quanto de emoções e sentimentos eu tive no decorrer. Portanto, para os mais curiosos, foi-me um bom dia, para os menos curiosos, não vos preocupeis, foi-me um bom dia.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Uma pelada com Pascal...


"Assim, o homem é tão infeliz que se aborreceria mesmo sem nenhuma causa de aborrecimento, pelo próprio estado de sua compleição; e é tão vão que, sendo cheio de mil causas essenciais de aborrecimento, a menor coisa como um bilhar e uma bola que ele joga bastam para diverti-lo."
(Blaise Pascal)

terça-feira, 24 de maio de 2016

Commedia a treepadhinha (Rascunho)

Canovaccio 

Zannis
Victor - Arlecchino
Guilherme - o Brighella
Haroldo - o Ruzante
Fábio - il Capitano
Mariana - a Colombina
Primo! - o Pierrot
Penélope - a Pierrete
Pedro - o Pedrolino
Salvatore - o Pulcinella
o Scaramuccia
Jandela - o Polichinelo

Innamoratis
Júnior - o innamorato
Isabella - a Innamorata

Vecchis
- o Pantaleone
- o Dottore

Ah… a commedia dell’arte onde apesar de tantas confusões e pessoas mal intencionadas o amor prevalece. E nada como contar uma história de amor em meio ao carnaval de Santos, onde todas as vontades são realizadas antes da quaresma e o tempo de recessão a que os corpos são fadados.

Cena 7 - L’armata Victorleone

Pedro: Mas Vittorio estamos em maior número e além disso Guilherme é nosso amigo. Porque vamos enfrentá-los ao invés de dialogar.
Victor: Porque, às vezes, temos de nos ficar no chão como uma árvore e resistir ao que querem nos impor.
Pedro: Vittorio, Guilherme é um gênio e você é só inteligente.
Victor: Eu sei, mas eu também sei fazer algo que a mente de Guilherme não pode. Trapacear.  Venham, vamos para o bar Nórcia lá poderemos nos organizar.
Pedro: Você conhece os bares de Santos? É muito mais bêbado do que eu havia imaginado.
Victor: Próximo de Nórcia há uma ordem beneditina, eu já fui lá ouvir uma liturgia com canto gregoriano. Há uma escola lá também, parece que vai chover, vamos procurar um teto.

Freira: Fique aqui Victor. Não se meta no que não lhe diz respeito.
Victor: Não posso, eu tenho de mostrar a eles que existem outras possibilidades.

E uma chuva forte começou.

Victor: Irmã, o que você fez?
Freira: Pedi a você e você não me ouviu; pedi a Deus e ele me ouviu. Vá embora, se puder, e volte ao seu bar.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Juízes sem juízo (?)

Serumano advogado: Sou  contra o servidorismo publico.
Eu: Ah-é! Por que?
Serumano advogado: Tudo vagabundo mamando no governo.
Eu: E você quer ser o que quando crescer?
Serumano advogado: Juíz.
Eu: E quem paga o salário do juíz?
Serumano advogado:...

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Algum astronauta estava tocando um rock'n roll cheio de ciência...

"Ela fechou as minhas malas ontem a noite, antes do voo" e eu nunca voei sozinho ou com ela. Era um adeus curto, um daqueles abraços com medo se tocar, um beijo mal dado, um frio na pele de quem não se aquece mais ao ver quem ama. "Não sabia que horas eram a visibilidade era pouca". Eu olhei no relógio quando ela partiu: "Zero hora. Nove da manhã.". Eram nove da manhã e meu dia havia acabado.

"Eu sinto saudades da minha esposa" e de mim mesmo, mas sinto ainda mais falta da primeira pessoa do plural que usávamos como se fosse a do singular. Parece que um pedaço importante de mim foi-me arrancado, não um braço, uma perna, coração ou cabeça... uma peça importante mesmo. Dentro de nós há uma esfera resistente ao mundo, as pessoas e a deuses, isso é o que chamamos de integridade. Ela não tem nome, título, endereço ou telefone, mas ela está lá, faz parte de nós. Gritamos, guerreamos, choramos, lamentamos, sofremos, felicitamo-nos quando ela é tocada por outro ser humano. "É solitário no espaço", ela levou um pedaço da minha integridade "voando sem tempo".

"E acho que vai demorar muito, muito tempo até que o pouso me traga de volta para descobrir que não sou o homem que acham que sou em casa", ela não estará mais lá. Não havia o por quê de eu me preocupar, mas ainda sim eu me preocupava. "Inclinei-me sobre o meu rádio" e "algum gato estava tocando um rock'n roll cheio de alma". A música era boa, muito boa e eu repetia o refrão "Ah, não, não, não. Sou um astronauta, astronauta, queimando seu fusível".

Eu olhei para cima, sou ateu, mas se há um deus ele não deveria se lembrar de mim agora? Não era nesse momento que ele deveria me salvar? "Eu sinto saudades de minha esposa".

There's a starman waiting in the sky
He'd like to come and meet us
But he thinks he'd blow our minds

Um conselho...

O meu conselho: na tua peça, tenta ser original e se possível inteligente, mas não tenhas medo de parecer disparatado; a liberdade de espírito é necessária, e só é livre de espírito quem não tem medo de escrever disparates. Não sejas piegas, não sejas polido, sê desajeitado e seco. A brevidade é irmã do talento. A propósito, lembra-te que os desencontros amorosos, as mulheres e os maridos enganados, as viúvas, as lágrimas dos órfãos e outros já foram há muito descritos: o tema deve ser novo e o enredo pode estar ausente. Mas o essencial é que a mamã e o papá têm necessidade de comer. Escreve; as moscas purificam o ar, e as peças purificam os costumes.

(Anton Tchékhov)

sexta-feira, 1 de abril de 2016

La Opinion de dottore... right?

E dizia Virgílio dulce et decorum est pro patria mori mas nesses tempos conturbados a espera de um deus ex machina e semper fidelis a pátria, sic, alea jacta est mais vale um hambúrguer no pão do que dois na chapa.
Na commedia a treepadhinha desse palco maluco e vicentino dos tempos modernos, chamado paulista e disfarçado de carnaval "amarelo CBF" e "vermelho PT" até eu posso brincar de Dottore... certo?

domingo, 20 de março de 2016

Notas sobre a morena...

Ela está menos crítica e me liga mais, em verdade ela manda mais mensagens. Ela ainda é muito distante, não apresenta o comportamento das outras.
Será este o meu erro? Esperar que ela seja como as outras? E se ela de fato for diferente? Ou eu que não a trato como as outras? 
Uma mulher me disse que sou um homem machucado. Será que vejo todo mundo quebrado por que eu também o sou?

sexta-feira, 4 de março de 2016

Sobre riqueza...


O que define uma pessoa rica é o quanto de posses ela possui em relação as outras. O que pode ser definido quanto a dinheiro ou materiais. Contudo, para alguns o maior valor que se pode pagar é tudo, então o que se pode definir de riqueza é ter o necessário ou o que se quer?
Ghandi nos disse que que qualquer um que tenha mais do que necessita é um ladrão... Concordo com ele... 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

OK, Houston, we have a problem here...

No primeiro dia no espaço todos nós apontávamos nossos países. No terceiro ou quarto dia, mostrávamos nossos continentes. Mas, depois do quinto dia, enxergávamos só uma Terra.” (Sultão al-Saud)


"We choose to go to the moon. We choose to go to the moon in this decade and do the other things, not because they are easy, but because they are hard." (John F. Kennedy)



Essas demonstrações do quanto somos pequenos não te fazer querer parar de acreditar que somos nós contra eles? Que, em verdade, só há nós...

Magnanimidade

Sobre aquele que faz o que quer, sem perguntar ou pedir ajuda. Se me perguntarem se eu ouço alguém, bem... eu ouço, mas há duas pessoas que eu permito que me admoestem ou repreendam, não mais que essas duas.


Esse é mundo é grande demais, mas anda cheio de pessoas que buscam individualidade e se parecem com todo mundo nessa empreitada. Um monte de gente gritando me amem e depois indo na terapeuta para ouvir que é uma pessoa especial e que merece um monte de coisas. Trago más noticias... “Se tratarmos as pessoas como merecem, nenhuma escapa ao chicote.” (William Shakespeare) E se virem com argumentos sobre essa verdade shakespeariana eu retruco com um: "você não pode medir o maior pelo menor", e Shakespeare ainda será citado quando a língua inglesa morrer... o que pode ser logo se eles também usam mixuguês e tendem a corromper a gramática como andamos fazendo... Em suma o que quero dizer é que aquele ser que tu pagas para valorizar a ti mesmo, enquanto você não se da o valor que tem, não pode ser maior que Shakespeare...

"O desprezo por ajudas ou obstáculos insignificantes, [é denominado] magnanimidade." (Thomas Hobbes)

Mesmo que tu caias vez por outra...




quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Sobre namoros...


Por que os relacionamentos são tão difíceis hoje em dia?

Eu tenho quase 32 anos de idade e namorei, de verdade, uma vez. Contudo, eu fui criado com porradas e frases de auto-ajuda ("Ou tu fazes o que te mandei ou irás dormir no hospital!") e portanto nunca muito de carinhos, mas quando cheguei a adolescência e aprendi a ver as mulheres como a coisa mais gostosa do mundo eu mudei. Aprendi a gostar de poesia, de presentear com rosas e carregar bolsas e mochilas alheias...

Tentei namorar outras duas vezes depois da mulher mais inteligente que já conheci, mas ambos terminaram com os gritos que levei... em menos de três meses, em menos de noventa dias, em menos tempo que a experiência que as empresas CLT nos dão... Por quê?

Eu presumo que seja por essa ideia que tem me instalado na cabeça das pessoas de que merecem ser feliz a qualquer custo. Prezam tanto por uma vida profissional e depois lamentam que não tem ninguém para envelhecer junto. Quando a mulher mais inteligente do mundo foi embora, ela me disse que não tínhamos nada juntos, bem... eu não tenho nada sozinho... e nunca quis nada além do suficiente, e eu a amava... o que pode ser mais suficiente do que isto?

Agora eu tenho amigos casados, namorados, divorciados, solteiros e até viúvos... e tudo o que vejo são pessoas tentando encaixar as peças do quebra-cabeça "eu e você", será que eu era assim também?

No fim das contas... eu engordei de tanto pedir pizzas...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Brincando de vento... pelo tio Vini...

Com mão contente a Amada abre a janela
Sequiosa de vento no seu rosto
E o vento, folgazão, entra disposto
A comprazer-se com a vontade dela.

Mas ao tocá-la e constatar que bela
E que macia, e o corpo que bem-posto
O vento, de repente, toma gosto
E por ali põe-se a brincar com ela.

Eu a princípio, não percebo nada...
Mas ao notar depois que a Amada tem
Um ar confuso e uma expressão corada

A cada vez que o velho vento vem
Eu o expulso dali, e levo a Amada:
Também brinco de vento muito bem!


(Vinicius de Moares)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Uma conversa...

Ela: Então... Vamos ué. Uma coisa não tem nada com a outra. Deixa eu te explicar meu ponto de vista, se eu quisesse algo serio com vc teria sido o maior fracasso pq vc fugiu, lida mal com a possibilidade de se relacionar, tende a ter problemas com alcool e não quer nada com nada.
Eu: Eu acho que é tudo isso que me torna especial...
Ela: Nesta altura da minha vida eu sei que não existe paixão, amor ou qualquer coisa que resista a isso mas como o que eu queria era ficar de boa, ter boa companhia, sem cobrança e sem cobrar esteve plenamente dentro das minhas expectativas eu so não entendi pq vc fugiu como se eu tivesse atacado ou cobrado sei lá.