quarta-feira, 3 de março de 2021

Algumas vezes...

 Algumas vezes nós somos o que somos, sem filtro...

Algumas vezes as dores são dores...

Paixões esquecidas devem ser esquecidas...

Dores passadas devem ser passadas...

Amores devem ser esquecidos...

E amizades devem ser reavaliadas.

A vida segue... sem cor, sem tempero, sem paixão, mas segue...

Espero que na próxima vida possamos ser gatos trepando em telhados.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Cogito ergo sum

 Primeiro descobrimos as sensações, depois os desejos do corpo e da mente. Em seguida vem a insatisfação com os próprios resultados e depois com os resultados alheios.

Então chegam a nós as promessas e depois a expectativa. Ao cruzar promessas e expectativas descobrimos que não temos aquilo que acreditos ser nosso por direito, sem sabermos que direito é como a felicidade, sem importância, mas uma conquista.

Com o passar do tempo, remoendo perspectivas e resultados ruins arrumamos culpados para os próprios fracassos. Passamos a culpar os outros, pois, obviamente, meus desejos não são realizados por que hão pessoas que não dormem com a intenção de me prejudicar. Todo a minha raiva, todos os meus fracassos, a fome do meu corpo, o cansaço da minha mente e a covardia de meu espírito é culpa de vocês. Vocês não me deram o que é meu por direito.

Eu sei. Eu já passei por isso quando criança até a adolescência. Contudo, temos de crescer um dia, vomitar as coisas que nos fizeram comer e crescer. Assumir uma mente adulta, entender que a maior parte das pessoas só estão sobrevivendo e não estão tão interessadas na sua vida o quanto você quer que estejam. A circunstância onde jogamos toda a nossa privacidade e integridade no mundo e ele não nós dá resposta deveria ser o primeiro passo do amadurecimento e não a patética e triste origem de um imbecil.

domingo, 18 de outubro de 2020

S03E9 - As merdas de cada um.

 Personagens

Victor - 
Denise - 

Cena 2 - As merdas de cada um.
(No bar)

        A vida é um grande oceano de merda onde cada onda bate no corpo, nos joga dentro dela e nos faz engolir toda a sujeira que jogamos fora de volta para nossas bocas. Sempre que a onda volta para o oceano e enfio dois dedos na garganta e tento vomitar. Contudo, o gosto fica na boca, o cheiro fica nas narinas e a cremosidade fica entre os dedos.
        Há um velho ditado que diz que quando o discípulo está pronto o mestre surge, sei lá, eu queria que Helena viesse em um cavalo branco e como um príncipe ela me salvasse, sim eu sei, as coisas estão invertidas, eu deveria ter um cavalo branco, uma armadura dourada, uma puta espada na cintura e ir tomá-la do dragão, mas as coisas são complicadas. Não se engane, toda vez que alguém lhe disser que as coisas são simples e fáceis, afaste-se dele, pois é mais um idiota e já os temos em demasia no mundo, você não precisa levá-lo para a sua vida.
        Eu olho para a porra do copo e a cerveja não tem um gosto bom, eu sei que esse dedo de cerveja no fim do copo nega a minha afirmação. Se eu encho a boca de merda a cada onda não será o gosto ruim da cerveja que vai piorar as coisas.

Denise: Victor! Já bebendo?
Victor: Não. Estou apenas olhando para um copo vazio agora.
Denise: Quer que eu pegue mais cerveja para você?
Victor: Por favor.

        Ela pega o meu copo e vai em direção aquelas coisas mágicas que fazem fontes de água cristalina com um arco-íris no fundo parecer um vídeo de "Two girls and a cup", assista e depois me agradeça. Aquelas coisas mágicas chamadas de torneiras ligadas a barris de onde sai a linda a cerveja. Ela enche o copo até que escorre o líquido pela borda do copo, igual no vídeo das meninas, ela passa o fundo sobre um pano tão usado quanto o copo das meninas, e sorridente, Denise vem me trazer o milagre em forma líquida.

Denise: Aqui está.
Victor: Obrigado.
Denise: E aí. Como foi o seu dia?
Victor: Ótimo.
Denise: Mentiroso.
Victor: Eu nunca minto.

        Ela ri. Eu não.

Denise: Fala ai o que esta te magoando, talvez eu possa ajudar.

        As pessoas têm sempre disso, ela não quer me ajudar, pois se o quisesse ficaria calada e só traria a porra da cerveja para mim, não, ela quer falar, ela precisa que eu lhe dê a ponta da linha. Então ela pega qualquer afirmação minha para comparar com a vida dela e começar a falar dela e dos problemas dela. Hoje, eu não estou com saco para ouvir gente falando de si mesmo. Hoje, eu tenho minhas próprias merdas para lidar e limpar.

Victor: Duvido.
Denise: Fala ai, sou muito boa em aconselhar.
Victor: E quem não é?
Denise: É sério. Todos os meus amigos me pedem conselhos.

        Eu queria muito dizer que não era amigo dela e que qualquer opinião dela sobre quaisquer aspectos da minha vida é irrelevante, mas eu não deveria descarregar a minha raiva nela. Decidi falar sobre os problemas de nosso salvador. Daquele que morreu por nos e depois de três dias saiu voando para o conforto e beleza dos céus e esqueceu que não podemos voar também.

Victor: Bom, se é assim... Beleza. Estou achando que um amigo vai me entregar para o meu chefe. Eu disse que poderíamos conviver melhor no trabalho se parássemos de discutir o tempo todo e nos ajudássemos. O trabalho é muito competitivo e a maioria lá está tentando ganhar em cima dos outros.
Denise: E o que o seu chefe acha disso?
Victor: Ele acha que todo mundo é adulto e deve cuidar de si mesmo.
Denise: Mas as pessoas são diferentes, algumas não conseguem se guiar sozinhas.
Victor: Foi o que eu disse ao meu amigo, além de que deveríamos ajudar os que são mais lerdos.
Denise: Sim, sim. Parece uma boa ação. Por que o seu amigo não gostou da ideia?
Victor: Acho que ele é muito egoísta. Se eu e ele trabalharmos meia hora a mais podíamos ajudar metade dos mais lerdos.
Denise: Só meia hora? E ele não quis ajudar os outros?
Victor: Não.
Denise: Nossa, aqui é assim também, ninguém quer trocar meia hora de trabalho comigo. Se eu pudesse entrar meia hora mais tarde eu poderia sair da faculdade no horário.

        Ela subiu na vassoura, mas fui eu quem gritou: "E lá vamos nós!".

sábado, 3 de agosto de 2019

Sobre os novos amigos velhos...

Eu corri para chegar ao bar e já caia uma garoa fraca, o vento assobiava uma melodia triste.
Um casal de amigos estava a porta assoprando as mãos em forma de conchas. Depois vieram as meninas, e depois mais duas e depois mais um casal. Mais tarde veio mais uma e depois mais um amigo. Ainda mais tarde chegou mais pessoas...
Fazia muito tempo que velhas histórias não eram contadas de maneira nova, para novos ouvidos.
Os sorrisos, as risadas e as gargalhadas suprimiam o chiado do vento. Os cigarros amaciavam a cerveja. Ali, com aquelas pessoas dividindo a comida, histórias e alegrias, eu pude sentar próximo a mesa e os ver... fazia tempo que eu não via o mundo daquele ângulo.
Vale a pena escolher os amigos pelas janelas da alma. Valeu a pena fazer as escolhas que fiz... sempre valeu, mas as vezes é preciso o ceticismo absoluto para ver idéias virarem matéria...

Sempre valeu a pena contar aquelas histórias e ouvi-las de outras formas.

Ainda vale a pena brigar pelo que julgamos ser correto... sempre valeu... Eles sempre valeram o esforço.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Sobre guerreiros e políticos...

Muitas coisas andam na minha mente. As vezes eu tenho de conter o que me faz eu me reconhecer, a raiva. Boa parte do meu tempo é discutindo o óbvio, os desejos pessoais e a individualidade.

Tenho saudades do tempo onde eu não tinha políticas para fazer o que tinha de ser feito. Agora, tudo é negociação, de tempo, de espaço, de logística, de tarefas, de facilitar a vida dos outros e tornar a minha mais difícil.

Eu sei que é errado eu reclamar quando tenho amigos como os meus, que se sacrificam para tornar esse mundo melhor, ou pelo menos mais democrático. Contudo, eu sempre fui o descontente, aquele contra a sistematização, contra as hierarquias. Agora sou parte da roda que processa a loucura.

Meus cadernos velhos não me dizem o que fazer quando as coisas não se tratam de mulheres ou sobre o tipo de cara que quero ser. Agora é política, negociação, eu nunca gostei de negociações. Sempre fui mais do cara que prefere morrer a matar, e agora mato um leão por dia.

Os amigos ainda me apoiam, incentivam, mas em boa parte deles eu vejo a esperança de que eu lhes diga o que fazer... Eu não sei o que fazer com eles. Sei quem sou e o que quero, mas não estou na minha área...

Napoleão me ensinou a planejar e vencer com estratégia e tempo. Maquiavel me ensinou sobre o poder, o que fazer com ele. Sun Tzu me ensinou a tomar as peças do jogo sem destruir o estado das pessoas. Musashi me ensinou a usar o céu e a terra como armas, ensinou-me a fazer do perto longe e a vencer uma pessoa como se vence mil. Nenhum deles me ensinou a abrir mão de quem se é para fazer política.

Talvez seja hora de retomar os textos gregos...

domingo, 30 de junho de 2019

Vai tomar suco!

Ela: Ontem eu fui na igreja e conversei com o pastor sobre meu namoro, compromisso e casamento.
Eu: Caramba! Pessoas adultas pedindo permissão para serem adultos. Ah... as vantagens de sermos adultos.
Ela: Há! Você é um bobão!
Eu: Quê?
Ela: E tem isso também. O pastor me proibiu de falar palavrões.
Eu: Cara... ramba.
Ela: É uma mer... um cocô!
Eu: Nossa. Isso é muito legal. Catapimbas!
Ela: Vai tomar suco! E nada de sexo antes do casamento.
Eu: E pretendem se casar quando?
Ela: Amanhã...
Eu: Puta mer... Putz grila! Sabia que não existe a palavra casamento na bíblia e que basta se juntarem de coração.
Ela: Você disse que eu precisava de ajuda... Entrei para a igreja e agora cortaram o sexo.
Eu: E o que o Tomás disse?
Ela: Ele é um cuzã... cuscuz! Não me pegou pelo cabelo, não me deu umas palmadas, não me jogou na parede e não me chamou de lagartixa... ta tudo certo para ele.
Eu: Ele deve fazer amor, lavar a mão e ir dormir... isso acalma.
Ela: Tomás no sul mano... vai Tomás no sul.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Eu, o bravo

Amigo: Mano... tem duas minas na mesa ao lado olhando e sorrindo para nós.
Eu: Olhou para trás da gente? Não tem dois caras bonitos na outra mesa?
Amigo: Não não... estamos na mesa da parede atrás de nós só os cartazes de breja e promoções do dia.
Eu: As vezes as meninas gostam das meninas de biquini nos cartazes ou estão sorrindo "pro moções" do dia e não para nós.
Amigo: Para se ser chato. Você ta com a mulher que gosta certo? Então você pode se me acompanhar e fazer aquelas suas piadas sobre como você é foda e como as pessoas são umas bostas... Elas riem quando não te conhecem direito. Elas acham que você está brincando.
Eu: Há! Então eu posso xingar e sorrir para as pessoas que eu odeio e elas nem sabem que é verdade?
Amigo: Só para as que não te conhecem.
Eu: Beleza. Vamos lá falar com elas!

sábado, 15 de junho de 2019

Aceitamos devoluções

Ela: Você escolheu um jeito diferente de me contar sobre a sua vida.
Eu: Ai há um erro comum. Eu escrevo para mim, se permito que vocês leiam é por quê eu tenho um motivo, mas é um motivo meu.
Ela: Sei, até parece que não é para mim que você escreve.
Eu: É verdade também, é sempre sobre você e para você. Contudo, é para mim também, pois não há o meu eu de hoje sem você.
Ela: Eu sei...

E ela ri como uma criança que ganhou algo que queria muito.

Ela:... que bom. Por que hoje você pode ganhar algo meu. Na verdade, eu vou te devolver algo que você me dá sempre.
Eu: Nem quero. Se for piadas sem noção ou sarcasmo gratuito ou mesmo a acidez do meu humor pode ficar contigo.
Ela: Não é nada disso...

Ela me olhou nos olhos, colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, ficou séria e me disse:

Ela: Eu já disse que gosto de você hoje?

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Ainda sobre ASMR e textura do escuro...

Eu ainda não havia ouvido asmr, mas já havia perscutrado o escuro. Os sons eram complicados de se assimilar e ela ainda falava para prestar atenção no escuro. Eu não estava entendendo nada. Ela ainda falava sobre seriados e desenhos japoneses. Eu ainda me sentia desconfortável ao discutir desenho com meninas. Ela ainda fazia os selinhos estalarem como lenhas numa fogueira. Eu ainda não entendia os sons de asmr. Ela ainda falava sobre filmes de Almodóvar. Eu ainda tateava no escuro até que eu reconheci o caminho da água. Ela ainda segurava a respiração vez por outra. Eu ainda não entendia os sons até que entendi que os sons que se danem. Ela não falava mais, mas suspirava bastante. Eu finalmente entendi sobre sons que relaxam... E sobre as texturas que há no escuro, pois meus dedos acharam lábios sorrindo...

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Machado nú e bêbado

Eu já disse que te amo bêbado?
Se não é por que eu não te amo.
Se eu não me coloquei nú como o tio Machado de Assis é por que eu não falei a verdade. Eu te pedi em casamento? Pedi todas que me deram atenção.
Eu estava bêbado? Estou sempre. Busco em todas vocês... Ela.
Creça, eu estou tentando cresçer. Sim, eu uso todas vocês para estar pronto para ela, desçendo tão pura em meio a todas vocês, de mão em mão...
Eu aguento... Tu aguentas?