Ela estava chateada, em verdade ela queria arrancar o meu maravilhoso cabelo com as mãos. Havíamos discutido sobre o futuro, ela queria casar, eu queria uma bicicleta.
A briga foi sobre o que havíamos conquistado juntos, bom... Ela ganhava mais do que eu, estava no penúltimo ano da faculdade e havia tirado a habilitação para dirigir. Eu ganhava pouco, havia deixado a terceira faculdade sem completar e nunca, mas nunca mesmo, sonhei em ter carro ou dirigir.
Eu trabalhava em um laboratório na zona leste de sampa. Ela na Cidade Jardim. Eu tinha de tomar aquela mulher de volta. Ela tinha de ir a faculdade. Eu comprei uma lanterna, imprimi um slide, comprei uma caixa de bombons. Ela saiu do trabalho, tomou um busão e foi a USP.
Quando cheguei ela estava conversando com seus amigos. Um deles apontou para mim e ergueu o queixo. Ela se virou e não sorriu. Eu esboucei um riso. Com um rosto lacônico ela veio veio até mim.
Mulher: O que você quer?
Eu: Três minutos.
Mulher: Beleza, vamos lá fora.
Fomos a um palco onde outrora rolava o Som Brasil da TV Cultura. Pedi para ela sentar. Tomei a lanterna e a coloquei no chão, coloquei o slide na frente e a liguei. A Lua brilhava na parede da editora que ficava ali do lado. Abri a caixa de bombons e dei a ela.
Eu: Essa é a Lua. Hodierno é tudo o que tenho e agora é seu.
Ela sorriu...
"Fly me to the Moon."

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