(Victor e Helena andando na avenida)
Era noite e estava frio, eu estava de camiseta preta, calça jeans e tênis, ela estava com a jaqueta lhe dei em seu aniversário, calça social e sapatinhos. Meu cabelo estava desgrenhado de tanto passar a mão nele, ela estava com o cabelo arrumado e de batom rosa. Andávamos na avenida em direção ao ponto do ônibus dela. Ela tomou meu braço em meio ao seu e se aproximou de mim, nesse período da minha vida eu sei que não é nada demais... Ela só queria sentir o calor do corpo de alguém, tanto faz o eu ou o do Charles Manson.
Helena: Se alguém tentar nos assaltar você vai bater nele né?
Victor: Claro. Sou treinado em técnicas de sobrevivência no Ártico.
Helena: Bobo.
Victor: Nunca. Eu sou um gênio. Hei de golpear o mano como o Sherlock no filme, pensando em cada golpe.
Helena: Claro que vai.
Victor: Claro que sim, eu sou bom quando quero fazer algo.
Helena: Você sempre acha que faz tudo muito bem quando quer.
Essa á frase que mudou tudo. Eu não sou bom em grande parte das coisas que quero ser, mas sou pior na habilidade que mais desejo: Fazer essa mulher feliz. Eu a olhei sem resposta, poderia ter feito qualquer piada, mas eu não queria. Aquela frase bateu forte em mim e eu não fui capaz de me articular. Ela deve ter notado o silêncio e voltou a falar.
Helena: Obrigado por ser meu amigo. Você é meu psicologo particular.
Victor: (Risos) Amanhã você vai lá e diz para ela que: “Não preciso mais de você mulher. Meu amigo gênio conversa comigo e me ouve melhor”.
Helena: Ela não acha que você é melhor não.
Victor: Oxi! Você andou falando de mim para ela?
Helena: Claro. E ela te acha inconsequente.
Victor: Como assim? Eu tinha três metas e cumpri as três.
Helena; Que metas?
Victor: Primeiro, ser funcionário público. Segundo, passar na faculdade pública. Terceiro, nunca mais namorar. E eu cumpri as três.
Ela se calou dessa vez, mas foi breve em me responder.
Helena: Parabéns!
E seu sorriso foi mais um falso... Daqueles que eu estou acostumado a receber dela. Nunca vou tirar um sorriso dela como o ex-marido fazia. Eu não o sou... Se fosse antes eu iria querer superá-lo, mas hodierno me encontro cansado disso... Ou ela sorri de verdade para mim, ou eu fico com esses falsos... Estou cansado...
Victor: Não acredita? Um dia você vai em casa e eu vou te mostrar o melhor spaguetti do mundo.
Helena: Vai me fazer miojo?
Victor: Está doida? Meu macarrão é super famoso!
Helena: Claro. Todo mundo conhece miojo.
Ambos riem e chegamos ao ponto de ônibus.
Helena: Ow! Olha pra mim o ônibus, eu to sem óculos. É o municipal número 6.
Victor: Beleza.
Ela entrou no ônibus sem olhar para trás e eu não me importei, eu a vi subir os degraus e passar pelo cobrador. O que é engraçado, pois com o advento dos bilhetes, um cobrador se faz quase desnecessário, o que é muito ruim para os trabalhadores, afinal estamos excluindo uma classe de trabalho. Quando o busão partiu eu decidi colocar meus fones de ouvidos e escolhi a música: Por Acaso dos Engenheiros do Hawaii. Helena era o meu Porto Alegre.
O episódio termina com a cena: eu andando, minhas costas sendo filmadas, eu me distancio da câmera e os créditos sobem comigo andando e a multidão do ponto de ônibus ficando para trás... a tela escurece e o Humberto canta:
Eu sempre quis voltar. Eu sempre quis você. Um dia eu quis tudo. Tudo estava aqui.
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