domingo, 22 de novembro de 2015

Pièce touchée pièce jouée

E se você conhecesse as regras do jogo? E se você olhasse a sua volta e soubesse que estamos jogando desde que nascemos? E se você fosse inteligente o suficiente para ver a melhor jogada?

Bom, não estamos falando de você, nem de mim. Contudo, se só tangenciássemos a forma de dirimir o problema, resolveríamos?

E falando de mim... e se eu tiver tocando algumas peças nesse jogo e eu não querer jogar com elas, você me permite voltar atrás? Pedir desculpas pelas minhas intenções que não serão tornadas ações? Mesmo que eu peça desculpas pelas promessas feitas sob a bebedeira, desculpas pelas promessas que fiz com a mão em sua cintura? Com meus lábios tocando os seus? As promessas que fiz enquanto as minhas mãos buscavam os seus resvaladiços, tu me perdoa?

Eu disse que íamos jogar esse jogo, mas agora... sóbrio, as coisas me parecem menos poéticas. Não, a culpa não é sua... ela é minha. Em meio a essa solidão de metrô eu me perco nesse carro cheio, eu sei que são desculpas, mas são tudo o que eu tenho. Eu sei que ontem eu tinha mais poesia e certezas. Hoje eu tenho uma dor de cabeça e parcas lembranças de ontem. Eu me lembro da dança, da música e de você dizer que não é pra mim, quando a verdade é que eu não sou para você.

Eu não menti quando disse tudo aquilo para ti, mas é que aconteceu uma coisa... A mulher que dobra estrelas me mandou uma mensagem... Ela pediu que saíssemos um dia desses... Eu disse que seria diferente dessa vez, eu sei... mas sou como uma mariposa indo ao encontro das chamas, eu não tenho controle algum quando ela me chama... eu só tenho que ir e me queimar naquele fogo...

Então me desculpe, de verdade, eu não menti, mas Ela esta aqui... eu queria jogar esse jogo contigo, esse jogo de casar, filhos e levar a vida que todo mundo quer, mas ela não deixa. Ela é igual o banqueiro do Banco Imobiliário, ela me da os recursos iniciais, deixa eu correr umas casas e comprar algumas coisas, mas esse jogo nunca acaba, eu nunca vi o fim de uma partida de Banco Imobiliário e eu ainda to na partida em que ela é o banqueiro...

Sério, desculpe-me eu não devia ter tocado as peças que não vou jogar...

domingo, 15 de novembro de 2015

Sobre gostar de alguém...

Era segunda-feira. Pouca gente vai no bar em uma segunda-feira. A maior parte das pessoas que conheço ou de quem ouvi falar leva a vida que todo mundo quer, mas eles não sabem. Não sabem que vivem o sonho. Então arrumam outros sonhos para sonhar dentro do sonho, pois alguém ou algo lhes disse que o importante é ter um sonho e ser feliz. Eu pensava nisso enquanto mijava e lia obscenidades escritas nas paredes do banheiro. Ofensas a homossexuais e a mulheres, telefones oferecendo o próprio corpo ou partes dele para pessoas que desconhecem e leem aquela merda toda. Balancei meu pau e dei descarga, lavei as mãos e as enxuguei em minhas calças. Olhei no espelho e vi um cara mais velho do que esperava. Sentei em uma mesa. Havia pelo menos uma dezena delas livres. Então escolhi uma do lado de fora. Nesses tempos, dessa minha geração fraca, ao invés de os tolos se retirarem do lugar quando eu acendo meu cigarro, jogaram-me para a calçada com leis de um povo que não deveria vir ao meu bar. Tudo bem, eles fazem a lei, eu mijo nos ideais deles.

Acendi um cigarro e esperei minha companhia chegar. Ela estava de calças jeans e com uma blusinha rosa. Quem vem a um moto clube de rosa? Foda-se, era uma boa foda para o rosa me preocupar tanto. Descartei a critica.

Ela: Você vem sempre nesse pulgueiro?
Eu: Sempre que posso.
Ela: Numa segunda? Você não trabalha não?
Eu: Trabalho. Só escolhi a minha vida e ela me permite vir ao bar em uma segunda sem ter de me preocupar com o que pensam de mim ou da minha vida.
Ela: Afe, você tem de ser sempre assim ignorante?
Eu: Só quando me ofendem sem me entender.
Ela: Tá... vamos beber o que?
Eu: Breja... e você?
Ela: Prefiro destilado.
Eu: Certo vou lá pegar algo para nós.

Sentei na cadeira do balcão e pedi uma breja e uma caipirinha com vodca. A garçonete me olhou e sorriu.

Garçonete: Amiga nova?
Eu: Mais ou menos. Já nos conhecíamos, só não saiamos juntos.
Garçonete: Ela parece gostar de você.
Eu:...
Garçonete: Você gosta dela?
Eu: Quanto mais você conhece alguém, menos razões para gostar desse alguém você tem.
Garçonete: Nossa! Então pra que sair com ela?
Eu: Foi um dia ruim. Eu precisava de companhia para vir beber e de uma mulher para passar a noite...

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Imagens de estrelas despedaçadas...

Eu: Psicologia não é ciência.
Serumano: Psicologia é ciência sim, psicólogos que não são cientistas...
Ambos riem.
Eu: Por que isso?
Serumano: Ah mano... eu to indo no numa psicologa, mas ela não me diz nada que eu não saiba.
Eu: Imagina a psicologa segurando um desenho de Roscharch e te perguntando: "Vou te mostrar umas imagens" ao que você responde:



terça-feira, 3 de novembro de 2015

altos Píncaros e Dançarina do efêmero...

Em principio que seja sempre alta...

Contudo as baixinhas tem, em geral, um espírito mais leve como toda gente que precisa de ajuda para puxar a cordinha de sinal no busão ou pegar o Sucrilhos no armário de cima.
Elas possuem um senso de humor diferente, mais simples, mais acolhedor...
São também como os pinscher irascíveis e tendenciosas a batalha em uma discussão, mas em geral possuem um bom humor que encanta e torna as conversas mais fluidas...
Talvez por viverem em um mundo de gigantes, elas tenham de se entregar ao bom humor, de sorrir com mais facilidade e de interagir com mais pessoas e talvez eu esteja arrumando desculpas para elas serem mulheres antes de serem baixinhas...

Contudo, mesmo entregues a vantagens tão especiais, ainda falta algo nelas (não estou falando de altura agora... A-ha), alguma que vem não sei como, e dói não sei porquê... só sei que falta...

Nunca fui um fã de mulheres baixinhas, sei lá, sempre gostei de mulheres e quanto mais mulher por metro quadrado ou por centímetros cúbicos melhor. Contudo, ando numa fase mais detalhista, tendo a me ater mais aos detalhes e não há mais detalhes do que nas baixinhas. Acredito, que como possuem mais superfície de contato a brincadeira tenha se tornado um ache os sete erros ou um "Onde está Wally?".

Tenho amigos que não trocam uma mulher com alta superfície de contato por uma de principio alta, e outrora eu seria todo desacordo por preferir mais centímetros cúbicos, mas hoje, olhando bem para o que defini uma mulher para mim... bem, eu não escolheria uma delas... compraria biquínis, uma piscina de mil litros e a encheria com gel, depois elas que lutassem... eu pego a vencedora!

E sem brincadeiras (mentira, serão um textos com piadas infames para sempre) acho que ficaria com a mulher que tivesse as partes do "Receita de Mulher" do Tio Vini que dizem: "É preciso que haja qualquer coisa de dança[...] É preciso que tudo isso seja sem ser [...] que se acaricie nuns braços alguma coisa além da carne [...] Nádegas é importantíssimo. Olhos, então nem se fala, que olhem com certa maldade inocente [...] e que exista um grande latifúndio dorsal! [...] que tenha a atitude mental dos altos píncaros [...] nos fazer beber o fel da dúvida [...] que exale sempre o impossível perfume; e destile sempre o embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina do efêmero; e em sua incalculável imperfeição constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável."

Tudo bem que essa é a receita do Tio Vini, mas convenhamos quem mais manja de admirar uma mulher do que ele? Eu teria de escrever uma para mim, e o fiz quando era adolescente, algumas coisas mudaram, mas a essência é sempre a mesma... Talvez um dia eu releia, reescreva e mostre para vocês, não o faço agora por quê eu ficaria bem comprometido com as possibilidades e eu descobri que gostos mudam e oportunidades passam se tu não as agarrar, então outro dia eu mostro aquele texto... Resolvido isso, usarei uma síntese da receita do Tio Vini (1) que ela tenha a atitude mental dos altos píncaros e (2) que haja qualquer coisa de dança na eterna dançarina do efêmero.

Se a síntese for confusa para ti eu só posso dizer que uma mulher não precisa de mais do que uma esperteza feminina aguçada e de um gingado atrevido; o restante são coisas que colocaram em nossas cabeças; para se fazer uma mulher basta esperteza e gingado, com isso o samba pode ser tocado e apreciado. Se ainda estiver confuso para ti então eu só posso proteger meus argumentos com isso: segundo o amor tiverdes, tereis o entendimento de meus versos.

Se assim o for, e entender o que quero dizer, saiba que já há um homem que te admira e achei uma mulher que valha a pena...