quinta-feira, 30 de julho de 2015

Version 3.0... ou 3.1...

Eu ai colocar aqui um texto que escrevi essa noite, mas ele me pareceu meio soturno para uma data tão importante. Desse modo, vou esperar acontecer algumas coisas que estão programadas e então... vou guardar pra mim essas coisas. Há coisas que não devemos falar aos outros, vocês entendem, tem coisas que são minhas e de mais ninguém.

Então nos vemos no próximo programa... Quando a programação voltar ao normal...

Perspectivas...


quarta-feira, 29 de julho de 2015

Morena e o Bêbado...

O telefone toca. Eu não sei quem é, mas posso presumir. Apaguei todos os telefones de mulher do celular. Assim quando estou bêbado evito fazer besteiras... Mesmo assim ele ainda toca.
Eu: Alô.
Ela: Oi, tudo bem?
Eu: Tudo. Quem fala?
Ela: Eu, seu besta. Onde cê tá?
Eu: Estou bêbado...
Ela: Eu sei. São mais de oito da noite claro que você tá bêbado. Quero saber onde você tá!
Eu: Em São Mateus.
Ela: Ta fazendo o que ai?
Eu: Bebendo?!
Ela: Com quem besta?
Eu: Com uns amigos...
Ela: Hum. Tem como voltar pra casa?
Eu: Pra casa? Mas eu to de férias...
Ela: Afê! Vai tá bem amanhã?
Eu: Um dia de cada vez... Pega leve.
Ela: Quero ir no cinema amanhã.
Eu: E sua irmã? Ela não ia contigo?
Ela: Não. Ela vai sair. Quer ir comigo?
Eu: Hum... Preciso ver a conta... Acho que exagerei esse mês...
Ela: Afê.
Eu: Ow... Vamos namorar?
Ela: Claro. Pede isso sóbrio e eu penso no assunto.
Eu: Droga... Vamos ficar solteiros então...
Ela: Eu sei. Você não tava saindo com uma minazinha ai?
Eu: Tava?
Ela: Oxi... Você quem disse.
Eu: Hum... Tava... Mas ela é menina séria... Quer namorar...
Ela: E você não? (risos)
Eu: Em verdade não... Mas sou um homem desesperado... Ai fico caçando problemas...
Ela: E eu não sou séria?
Eu: A maior de todas elas. Talvez a única que possa colocar ordem em minha casa...
Ela: Muito trabalho, eu já te disse. Já é difícil ser sua amiga com essa bebedeira toda. Imagina arrumar essa sua vida! E você nem tem casa mais, tá morando com a mamãe de novo (risos).
Eu: Por hora... Até o fim do ano...
Ela: Certo. Façamos assim, quando tu morar sozinho de novo e parar de falar que tudo te irrita eu penso no assunto. Pode ser?
Eu: Você quem manda...
Ela: E o cinema?
Eu: Vamos... Mas me liga amanhã depois do almoço... Não vou me lembrar dessa conversa...
Ela: Eu sei. Só queria ir no cinema e ver se você ainda me pede em namoro quando bêbado.
Eu: Nada mudou. Já disse que gosto de você hoje?
Ela: Ainda não.
Eu: Eu gosto de você.
Ela: Eu sei. Beijos. Amanhã eu te ligo. Tchau.
Eu: Tchau.

O problema é...


sexta-feira, 24 de julho de 2015

Ateu ruim

Serumano: Ela ta saindo com um cara do Espirito Santo.
Eu: Mas eu to aqui!
Serumano: É, mas você é ateu e o cara é do Espirito Santo!

quinta-feira, 23 de julho de 2015

A Revolta de Lear

Por esses dias eu estava no parque Celso Daniel com um amigo meu, como sempre conversávamos sobre esse mundo doido, onde a moral e bom senso morreram. Eu ainda não entendi bem o porquê de tudo me irritar, mesmo que eu sempre tenha me sentindo "um estrangeiro, passageiro de algum trem que não passa por aqui..." nos últimos anos isso tem me preocupado mais.

Bom, conversamos como sempre, até que eu decidi lamentar a falta de pessoas para eu conversar. Para ele foi um choque, pois no mundo dele há muitas pessoas que discutem sobre a vida, a sociedade e o certo e o errado. E para mim foi um choque, pois no meu mundo não há mais do que três pessoas que discutem sobre a vida, a sociedade e o certo e o errado. Quase chorei... quase...

Mas o assunto só voltou aos eixos - é, eu fiquei lamentando a minha falta de sorte - quando citei Shakespeare... Rei Lear... "Pobre rei Lear, ficou velho antes de ficar sábio". Passamos a conversar sobre nossas esperanças de ficarmos sábios, antes de ficarmos velhos. Foi uma boa tarde, tive de abrir cadernos velhos nessa noite, mas valeu a pena. Pessoas são as melhores companhias que podemos ter, mas nem sempre hemos de tê-las por perto. Tomei de minhas anotações as respostas que eu precisava... Não cabe a mim colocá-las aqui. Só posso dizer que dormi em paz, que achei uma resposta que me colocou para dormir.

Para concluir, esse será um tempo cada vez mais sem cor, mas talvez por não haver cor o tempo todo, eu possa admirar com mais alegria as poucas que haverem, pois creia-me, se você ainda espera um mundo feliz e regado a sorrisos, saiba que rir o tempo todo é insano e o mundo mastiga crianças e mulheres por hábito. Eu também quero sorrir, mas hoje quero sorrir por algo que valha a pena. Um amigo esses dias me mandou uma mensagem me desejando felicidade e alegria, eu respondi que queria menos alegria e felicidade e mais responsabilidade, a noção da responsabilidade.
Bom, tenha um bom dia.


"Entre os outros e vocês
Eu me sinto um estrangeiro"


terça-feira, 14 de julho de 2015

Sobre um dia de descansar...

Ela: Você vai me levar a sério?
Eu: Mas eu não levo nada a sério eu sou engraçado.
Ela: Ah! Mas a gente fica super bem junto.
Eu: A Lexi Belle e a Sasha Grey também, e elas nunca se levaram a sério ou ficaram juntas.
Ela: Mas e hoje?
Eu: Bom... Hoje é dia de carnaval do Chico. Hoje é dia de pernas de louça e bocas com sabor de maracujá ou de breja e bitucas... Hoje é sábado. Hoje podemos levar tudo a sério.
Ela: E quem vai me levar embora depois?
Eu: Eu... e o carinha que pilota o mercedes-bens.
Ela: Você nunca vai aprender a dirigir e comprar um carro?
Eu: Claro que sim. Quando nos levarmos a sério... e formos gatos...
Ela: Besta... Por que você gosta de mim? Eu sou cheia de defeitos.
Eu: Não sei o porquê de eu gostar de ti, eu só gosto. Simplesmente. Não tenho controle sobre isso, queria não gostar, mas não consigo deixar de fazê-lo.
Ela: E amanhã?
Eu: Amanhã será domingo, dia de recomeçar. Agora é sábado é dia de descansar.
Ela: E vamos descansar?
Eu: Não... isso vale para judeus... eu sou só um ateu ruim.
Ela: Eu também. Acho que agora eu consigo ficar de pé, fechar os olhos e beijar.
Eu: Eu não sei se consigo... fechar os olhos.
Ela: Então vamos se beijar de olhos abertos, ué!.
Eu: Posso olhar pros seus peitos?
Ela: Afe! Então eu vou ficar de olhos fechados.
Eu: Beleza... mulher, acho que não consigo ficar de pé...
Ela: Cala a boca e beija, como gosta de falar e enrolar... Pelo amor de Deus...

domingo, 12 de julho de 2015

Um terrível baile de mascaras



Os dedos sob as luvas procuram teclas de cores neutras, entre o branco e o preto há mais de duzentos tons de cinza.
Os dentes sob a mascara procuram não quebrar sob a pressão, entre a irritação e o repudio há mais de dez emoções.
Os olhos pretos rodeados de um branco cadavérico e um sorriso sempre disposto a contagiar gente podre diz:

"Meu nome é como essa mascara.
Chamam-me, os mais doutos, de Comédia.
Outrora eu fui Arlequim, de pó na cara e
batom nos lábios. Antes fui um Clown
de sapatos largos e seguindo a moda.
Tive por amigos dezenas de Pierrôs,
enamorei dezenas de Arlequinas.
Meu pai não sabia ler, por isso não podia conversar,
minha mãe só lia novelas, por isso nunca viveu.
Eu tiro a luva e o que tu vês:
Balas de batom e projeteis de fuzis.
Sob a mascara eu não tenho rosto,
olhe cá e me diga o que você vê? 
Neste espelho que tenho por face."

Ele aperta a gravata e se apruma, joga a cauda de seu fraque por sobre o banco e se senta em frente ao piano.

"Há uma lâmpada quebrada para cada coração neste baile... A vida é um jogo cheio de regras, mas com juízes ausentes. Luzes quebradas em um céu sujo e escarninho laçam rotas esperanças sob pessoas cegas. Dão-te uma fantasia apertada no pescoço, uma mascara com a sua própria face sorrindo e um resumo da peça. Depois te jogam no palco e pedem que improvise nesse terrível baile de mascaras."

Toca e canta:

"Acordo de manhã e não leio as noticias,
pois tudo o que importa se encontra do lado 
de dentro de mim mesmo.
Não acaricio bichanos pelo chão, não canto nas ruas,
pois somente os porcos e sujos vivem suas vidas.
Sem meus heróis televisivos não sei viver,
eu ainda não descobri que vou morrer e
não me importa saber quem mudou o mundo
com seus moinhos de vento.
Neste baile de mascarados,
não há heróis ou necessidades,
só mascaras.

"Não tenho o direito de ser triste.
Se não sorrio todo dia e não uso camisetas rosas,
obviamente, é por que não sou feliz.
E um monte de gente regada à drogas que 
entorpecem os sentidos, usando a química 
para continuar sorrindo essa vida de imbecis
me carregam ao inútil do terapeuta,
que por trinta moedas de prata vai me lamber as bolas
e mentir sobre a minha importância no mundo.
Neste baile de mascarados,
não há pessoas tristes,
só mascaras.

"Preenchendo formulários sem leitores,
vendendo a produção de outras pessoas,
mentindo sobre os resultados,
batendo pregos na tabua de madeira,
trocando as peças boas por ruins,
atendimento impessoal e a distância,
cobrando mais que o preço justo,
roubando a tinta das impressoras.
É assim que trabalhamos, dizendo aos
outros quem é o mais esperto e pode
roubar, enganar e ganhar mais.
Neste baile de mascarados,
não há trabalhadores,
só mascaras.

"Não posso amar quem meu coração pede,
pois nasci para tomar o sorvete de chocolate,
nunca o de morango.
Meus carrinhos e soldadinhos estão lá
desde a infância para me dizer do que gostar.
Quantas mais eu fodo, quantas mais abandono,
eu sou um homem. Eu fodo para mostrar
o quanto sou homem aos amigos.
Reclamo da liberdade por medo de me sentir livre.
Não sei quem sou, então quero que ninguém seja alguém.
Neste baile de mascarados,
não há homossexuais e oprimidos,
só mascaras.

"Não posso amar quem meu coração pede,
pois nasci para tomar o sorvete de morango,
nunca o de chocolate.
Minhas panelinhas e bebezinhos estão lá
desde a infância para me dizer do que gostar.
Quanto menos eu me entrego, quanto menos abandono,
eu sou uma mulher. Eu fodo para mostrar
o quanto sou mulher aos amigos.
Reclamo da liberdade por medo de me sentir livre.
Não sei quem sou, então quero que ninguém seja alguém.
Neste baile de mascarados,
não há mulheres ou feminismos,
só mascaras.

"Nasci negro e pobre, as costas de meus avôs
ainda estão marcadas com ferro.
Essa gente branca e ignorante
sempre reclamando da divisão dos direitos.
Fecho-me aqui dentro e grito meu ódio ao seu ódio.
Meritocracia é nascer rico, quem nasce pobre e negro
tem o mérito de sofrer por isso.
Neste baile de mascarados,
não há negros e méritos,
só mascaras.

"Há perversos e danosos, mas nunca veados,
judeus ou pretos neste carnaval de bastardos.
Neste vil baile de mascaras, todas brancas,
todas sorrindo, todas iguais...
Neste baile de mascarados,
não há mascaras,
só mentiras."

sábado, 11 de julho de 2015

Lá e de volta outra vez...

Mais de um ano sozinho. Pagando por algo que não tem valor para ninguém. Então uma amiga decide comemorar o fato de ter acabado a faculdade. Um barzinho no centro da terra da garoa, cerveja, amigos do trabalho e meus amigos pessoais.

Eu ando sofrendo com o que um amigo meu decidiu chamar de "consciência brutal". Um estado de auto reflexão que deve durar a vida toda. Os filmes não tem mais graça, não há surpresas no mundo, não há mais cores, só tons de cinza distribuídos em 256 tons. As coisas acontecem devido a causalidades, não devido à milagres. É difícil manter a compostura com um mundo que não quer saber de nada além de buscar a felicidade, mesmo ao custo da própria felicidade. Hodierno, é mais importante parecer feliz, sensualizar com a comida e tentar vender uma vida chata e imbecil para quem quiser comprar, mas em um mundo de vendedores de vidas vazias, não há espaço para compradores.

Por isso, é-me difícil aturar tanta frivolidade, creia-me eu já a tenho as pencas, não se fazendo necessário obter as de outrem. Um pouco de álcool e eu já quero sair da sala, sair dessa falsidade repleta de simulacros e gente com o ego do tamanho do meu. Ontem, foi-me assim. Cerveja e vontades de correr. Não é que eu não os ame. eu só não estou com muito saco para interações sociais.

Álcool na cabeça e um telefone na mão. então eu mandei mensagens para Ela. Marcamos de nos encontrar. Estávamos em bares separados por uma rua e a vontade de vê-la era grande. Talvez, foi devido a isso que eu não tinha muito saco para meus próprios amigos, os caras hão de me entender, as mulheres não...

Saí do bar e fui encontrá-la. Sempre linda, mas dessa vez com os cabelos na altura dos ombros. Bêbada como quem não quer saber do amanhã, eu não estava tão melhor assim. Andamos um pouco e em um posto comprei água e coca-cola. Ela precisava. Eu também. Não me lembro quando ela me beijou, mas me lembro de retribuir. Foi um vogar curto de línguas. Nenhum de nós estava em condições de manter a atenção entre ficar de pé, fechar os olhos e beijar. Então tiveram de ser beijos curtos e mal espaçados.

Falamos de coisas que não deveriam ser ditas. De sentimentos que não deveriam ser sentidos. E de um passado que deveria ter ficado para trás. Abraços longos e apertados. Daqueles que duas pessoas dão quando precisam sentir gente nesse mundo. Abraços de solitários. Abraços que sabiam que ali do outro lado estava uma pessoa que tem medo de se perder. Mas, que se perderam ali, um no outro. Em um ponto de ônibus ela dormiu no meu colo. Minha mão deitou sobre a sua cabeça e meus dedos se perderam naqueles fios pretos...