terça-feira, 31 de março de 2015

Pronominais


S01E03 - Pronominais
Eu nunca entendi por que as pessoas sobem para cima, descem para baixo e usam pronomes pessoais átonos no começo das orações. Contudo, isso nunca foi motivo para que eu apedrejasse alguém nas ruas, mas o fato de eu querer ministrar meu vasto conhecimento para os simples, sempre foi motivo de me admoestarem quando não eram meus amigos mais próximos, e de pena capital quando o eram. Impressionante como as pessoas que deviam me ajudar a levantar quando caio são as que riem antes de me chamar de burro, não me ajudam a levantar e sentam no chão de tanto rir, isso quando eu ainda não levo uma “bica amiga”. Tudo bem, eu faço o mesmo por elas...

sexta-feira, 27 de março de 2015

Para a minha próxima mágica eu vou precisar de uma voluntária...


Mestre do picadeiro: "Respeitável público, hoje teremos o maior show que já existiu dentro da cabeça de alguém. Segurem-se, pois pode ser atribulado lá dentro, pois hoje, hoje um homem teve sua quarta epifania e essa envolve todos vocês!"
Eu [vestido de mágico]: Para a minha próxima mágica eu vou precisar de uma voluntária...


Eu amei três mulheres nessa vida. A primeira hoje é minha amiga, não converso com a segunda a anos e a terceira me odeia. Acho que nunca tive sorte nesse negocio de amor, mas sempre fui bom em jogos. Meu primeiro amor não morreu com um ataque de abelhas africanas, mas ela se casou e teve uma menina linda, que por educação eu chamo de "mulherzinha". Esse primeiro sentimento foi o mais inocente que tive, pois eu não a desejava como mulher, mas como alguém a se proteger e ter amor incondicional. Óbvio que não daria certo, mas com o tempo não foram nossas diferenças sobre a definição do amor que nos afastou, e sim todas nossas definições.

Meu segundo amor foi mais pé no chão, pé no chão até onde eu consigo tocar o chão. Sempre fui um sonhador - e por sinal acho que imagine do tio John foi escrita para mim e mais uns amigos que ainda não conheci -, nunca gostei do mundo em que vivemos, mesmo o tio Gessinger me dizendo que sim, pois é o único mundo que temos, então é o melhor. Mas no final terminamos em Ira! "Era a oposição que nos atraía/ Eu tão socialista/ E você tão neoliberal". No fim ela queria tudo o que todo mundo quer e eu sempre quis o que todo mundo esqueceu...

Meu terceiro amor... Eu poderia escrever um livro sobre ele, mas não sobre ela... Ela tinha aquela coisa de destruir a sanidade de um homem, de fechar os olhos e sumir em um piscar, de fechar o cenho como o céu fecha para formar tempestades, de sorrir como menina e não revelar a mulher por trás, de andar como quem ignora o mundo e vive por suas próprias regras - com quem aceita a gravidade por conveniência, nunca por que ela é uma força fundamental. E um dia essa mulher decidiu me lembrar que não sou o homem que ela quer, que quem ignora a aceleração da gravidade ignora quem quiser.

Levei menos tempo para superar isso do que das outras vezes. Deve ser esse negócio de experiência que meu velho falava. Uma vez eu perguntei a ele quando os problemas da adolescência iam passar, ele me disse que não passa, mas você vira adulto quando aprende a conviver com eles. Dessa vez eu chorei por um dia e no outro estava resoluto com algumas prioridades... Obrigado, obrigado, mas sem aplausos por favor, eu ainda não terminei de me expressar...

Quando mais moleque (e é possível eu ser mais moleque) sempre que me pediam para definir a vida eu dizia: "A vida é um circo e todos nos somos palhaços. Tem um ou outro mágico ou acrobata, mas a maioria é de palhaços". Por esses dias eu acho que consegui meu estágio de mágico (sim senhoras e senhores, talvez eu deixe de ser mais um palhaço), mas ainda estou treinando, então sejam complacentes se eu demorar para tirar o coelho da cartola e não conseguir colocar de volta. Se eu serrar uma pessoa ao meio, por favor, não olhe dentro da caixa... "Keep me in your heart for awhile".


quarta-feira, 25 de março de 2015

Feijão com arroz

"E todo mundo diz que ele completa ela
E vice-versa, que nem feijão com arroz"



E um dia, mesmo eu, tive de aprender a cozinhar. Nunca achei muito difícil cozinhar arroz, fritar um ovo ou bife, assar uma lasanha ou fazer o que mais gosto de comer: Spaghetti. Mesmo com humildes habilidades culinárias eu tenho um inimigo: a panela de pressão. Não sei dizer o porquê, mas ela me assusta, talvez seja pelo fato dela gritar e começar a jogar vapor para fora como uma namorada grita e joga palavras para fora. Há quatro anos eu trabalho em uma universidade e ainda corro da autoclave... Eu queria comer feijão então fui atrás do procedimento.

Fui até a internet atrás de opções para cozinhar feijão. Eu sei, eu sei... a maioria iria até o youtube atrás de algum vídeo simples. Os mais letrados atrás de blogs ou páginas de programas de televisão. E alguns vão atrás de artigos científicos...


Eis que me deparo com Índice de cocção. Afinal se vamos fazer algo então vamos fazê-lo direito, já que é para trabalhar que seja uma vez, então faça direito! Descobri qual a quantidade de água para cozer feijão e outra leguminosas. Descobri que se pode deixar o feijão de molho por uma noite e cozinhar de boas no dia seguinte, sem usar a panela de pressão. Um amigo me disse que se deve trocar a água pelo menos três vezes, senão você acaba gaseificando pacas...


Aprendi, outrossim, que o que torna o caldo do feijão grosso é o amido presente nele, e que, se quiser um caldo grosso se deve sacrificar alguns feijões...


E para concluir um dia de descobertas eu queria fazer analogias com o amor... Mas para quem descobriu tudo isso sobre cozinhar feijões, e não usou a panela de pressão, não seriam boas analogias. Só torço por ti, que tu tenhas a tampa de sua panela e tempere tudo com sazón...

sábado, 21 de março de 2015

Sobre USB e gatos zumbis...

É possível sempre estar errado? Dizem que mesmo um relógio quebrado está certo duas vezes por dia. Bem, caso não estejamos de acordo eu queria te dizer que não sou um relógio. Então eu posso estar certo pelo menos duas vezes por dia?

Digamos que eu possa estar certo duas vezes por dia e, oxalá, não seja quando eu decido qual shampoo usar e quando eu digo meu nome a alguém. Sério eu queria errar o meu nome em troca de acertar quando tomo algumas decisões importantes. Afinal, como diria nossa mocinha favorita: "De que te serve um nome?".

Há uma miríade de vezes que me encontro com a impressão de ter a situação mitigada. Contudo, todas as vezes que vou colocar um cabo USB em um computador eu sei que há 50% de chance que eu coloque o lado certo, mas em 90% das vezes eu coloco o lado errado. Isso não te deixaria com dúvidas de tuas certezas? Claro que não. Só um besta como eu teria medo das certezas ao errar o lado do pendrive

O que eu desejo mesmo saber de ti é: Se você acha que o mundo todo está errado você pode se dar ao luxo de viver em paz? Ou deve se ornar com armas e lutar contra o mar de angustias?

Uma vez eu li que quem define quem está certo ou errado é o tempo. Que é o fruto de suas escolhas que irá te revelar o resultado dessa querela pessoal, cujo galardão é uma vida de ansiedades e más vontades. Vou ter de esperar? Não posso abrir a porra da caixa e ver se o maldito gato está morto ou vivo? Ou morto-vivo?

quinta-feira, 19 de março de 2015

Carta do Chefe Seattle

Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los?

Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.

Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem - todos pertencem à mesma família.

Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Milorde, Lady e os Sem Noções...


Assisti parte de uma novela que terminou. O que mais me chamava atenção era o fato de uma das personagens ter um mordomo que a chamava de "Lady". Eu sei que as pessoas são seres pensantes e não são levadas pelo que a televisão vende, afinal essa invenção só tem a razão de ser no entretenimento e divulgação da cultura. Deste modo, não tendo nada a acrescentar na formação da sociedade que se governa e pensa por si mesma, certo? Pois, os programas são feitos se levando em conta os mais altos ideais de nobilidade e cultura de uma sociedade, não levando em consideração as vontades elitistas, mesquinhas, destrutivas, preconceituosas e racistas do nosso povo... não, pois quem tem ideias tão ignóbeis são a minoria. Não desejamos o fim da democracia em troca de defender os bons costumes (?) e a vontade de ter fama e dinheiro a custa da humanidade do próximo. Como assim você me pergunta?
Bom, tomemos o exemplo primeiro. A personagem da novela usava seu dinheiro para ter um ser humano que a chamava de lady, tinha residencia fixa junto de sua empregadora e usava um uniforme...
Tratar um ser humano melhor só por que ele tem dinheiro e te cobra um tratamento diferenciado me irrita

sexta-feira, 13 de março de 2015

Bertolt Brecht

"Perante um obstáculo, a linha mais curta entre dois pontos pode ser a curva."

"Inteligência não é não cometer erros, mas saber resolvê-los rapidamente."

"Miserável país aquele que não tem heróis. Miserável país aquele que precisa de heróis."

"Privatizado
Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário.
E agora não contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence."


"Alguns juízes são absolutamente incorruptíveis. Ninguém consegue induzi-los a fazer justiça."

"O Analfabeto Político
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais."

quinta-feira, 12 de março de 2015

O Drama de Casmurro

Ela chegou em minha casa linda. Havia tempos que eu não via uma mulher tão perfeita. Então ela me pediu para tomar banho, separei um sabonete novo e uma toalha para ela. Eu estava sentado no sofá quando ela passou com a toalha enrolada ao corpo e foi para o quarto. Gritei da sala o que tinha acontecido, e ela me respondeu que tinha tirado a maquilagem para dormir. Corri para o banheiro e chequei o chuveiro, liguei-o, mas a água não estava tão quente. Não entendi como ela derreteu com uma temperatura tão branda...

Eu devia ter deixado na água morna.

Apóstata Político

Sobre discutir politica... Eu cansei... 
Ser contra o governo é uma coisa, que eu até aprovo, mas tomar um drogado e traficante como herói é demais para quaisquer discussões. Usar argumentos de uma mulher que contou mil e uma histórias retira todo o prazer de uma discussão saudável.
Pedir intervenção militar! É sério acho que o infeliz nunca leu um livro de história... Ah! Chega!
Faço das palavras do velho português caolho e pegador as minhas:


"Nô mais, Musa, nô mais, que a Lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida."

terça-feira, 3 de março de 2015

Quem manda? As palavras ou você?

- Quando eu uso uma palavra - disse Humpty Dumpty num tom escarninho - ela significa exatamente aquilo que eu quero que signifique ... nem mais nem menos.
- A questão - ponderou Alice – é saber se o senhor pode fazer as palavras dizerem coisas diferentes.
- A questão - replicou Humpty Dumpty – é saber quem é que manda. É só isso.

O Guardador de Culpas

"Minha alma é como um pastor, 
Conhece o vento e o sol 
E anda pela mão das Estações 
A seguir e a olhar."

A frase acima poderia ser minha, ou seja, a de um preguiçoso, mas não... É do grande poeta português Fernando Pessoa. Contudo nem ele quis assumir a autoria de tamanha preguiça e decidiu dar os méritos a outra pessoa e pessoa essa que só existia dentro da cabeça dele. Então, bem... Falemos de preguiça e colocar a culpa nos outros...

Por essas ultimas semanas eu ando chateado com um monte de coisas. um amor não correspondido, amigos que não são mais presentes, amor não correspondido, com o fato de ter mudado de casa, amor não correspondido, com o meu trabalho, amor não correspondido, com a politica, amor não correspondido, com o universo, amor não correspondido e com o fato de minha vida ser tão pobre que nem o meu sol tem massa para virar um buraco negro...

E o que eu hei de fazer para arrumar tudo, ou pelo menos parte de tudo isso? Vou ser preguiçoso e colocar a culpa nos outros, mesmo que eu tenha de inventar culpados "Maldito Alberto Caeiro".

"Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado."

E eu sigo pensando no que tenho de fazer e quando notamos isso, que temos de pensar no que fazer, eu acho que ganhamos o dia. Não costumo pensar muito no que fazer, mas no que deveria ter feito ou em quem por a culpa, mesmo que fatidicamente ela venha a ser minha, ou eu achar que é minha...
Mas não dessa vez, pois dessa vez eu me encontro do outro lado da margem e vejo... Bem, eu vejo a margem em que estava e, triste verdade, é quase igual a outra, a que eu estava antes. A única diferença que notei até agora é que não tem um monte de pegadas número 42 andando em círculos ou refazendo o caminho. Parece-me solo novo, não tem ninguém para eu culpar aqui.

Ontem e hoje eu sai para correr, hoje eu tomei um suco de laranja e café sem açúcar... Tá uma bosta essa vida... Eu até to achando legal essa coisa de correr de manhã, tem um monte de mulher andando na pista e todas de roupa colada, mas a parte de maneirar na comida, tomar sucos e bebidas sem açúcar me parece um retrocesso. Afinal, não é assim que provamos que vencemos a natureza? Com comidas deliciosas e bebidas saborosas?

"E as mãos colhem flores sem ela dar por isso."

Eu comi tudo que pude, sério... E bebi tudo o que achei legal... Ai chega uma hora que você se olha no espelho e vê um gordo, você sabe que esse cara é você mesmo que se pareça mais com alguém que te comeu, literalmente, e ainda não te digeriu. O que é até bom em verdade, talvez dê para você sair dai e se ver de novo. Não vou negar que o primeiro passo foi vomitar um monte de coisas e quase todas eu tive de vomitar sozinho. Depois de muito pensar sobre o assunto.

E sabe de quem é a culpa? Isso mesmo. Não é minha... Mas por ser munificente hei de resolver. Por que? Bem... Porque eu posso...

"Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo"

As coisas só tem a importância que damos a elas...

"As coisas têm peso,
massa, volume, tama-
nho, tempo, forma, cor,
posição, textura, dura-
ção, densidade, cheiro,
valor, consistência, pro-
fundidade, contorno,
temperatura, função,
aparência, preço, desti-
no, idade, sentido. As
coisas não têm paz."

(Arnaldo Antunes)