terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

S01E03 - Pronominais

Personagens (em ordem de aparição)


Victor - Acha a palavra Melena a mais bonita;
Haroldo - Acha a palavra Melodia a mais sonora;
Tiago - Acha a palavra Comida a mais gostosa;
Estela - Acha a palavra Estela a mais importante;
Fábio - Acha a palavra Mulher a mais perfeita;
Guilherme - Acha a palavra Deus a mais divina;
Jandela - Acha a palavra Diversidade a mais justa;
Beatriz - Acha a palavra Amor a mais necessária;
Octavius - Acha a palavra Dinheiro a mais mais...


Sinopse


S01E03 - Pronominais
Os vícios de linguagem de Victor e sua mania de corrigir o português dos outros causam uma comoção no Reino de Noz. Seu castelo é sitiado e guerras eclodem, mas perguntas ficam no ar, afinal por que tiramos o “i” do queijo e o colocamos no arroz, e de onde vem o “n” do muito (“muinto”). È “noís”.



Ato 3 - Pronominais


Cena 1 - Quadrilha
(Victor sentado em um ônibus. Olhando para fora da janela)


Eu nunca entendi por que as pessoas sobem para cima, descem para baixo e usam pronomes pessoais átonos no começo das orações. Contudo, isso nunca foi motivo para que eu apedrejasse alguém nas ruas, mas o fato de eu querer ministrar meu vasto conhecimento para os simples, sempre foi motivo de me admoestarem quando não eram meus amigos mais próximos, e de pena capital quando o eram. Impressionante como as pessoas que deviam me ajudar a levantar quando caio são as que riem antes de me chamar de burro, não me ajudam a levantar e sentam no chão de tanto rir, isso quando eu ainda não levo uma “bica amiga”. Tudo bem, eu faço o mesmo por elas...
Lembro-me que comecei a gostar de literatura e gramatica no primeiro ano de cursinho. Eu tinha dezesseis anos quando comecei a estudar lá, fazia-o junto ao colégio, estudava no terceiro ano de manhã e ia ao cursinho a noite no centro de São Paulo. Eu ainda não trabalhava e achava demais aprender a falar corretamente, o que para mim era a base para ser um super cientista, como Reed Richards e Victor Von Doom (Seria bom demais se meu nome tivesse sido uma homenagem ao Doutor Destino, mas meu pai nunca gostou de quadrinhos). Foi ali também que eu conheci a Jandela, com o cabelo rosa, e Cecilia, com seus cabelos negros e pele bronzeada.
No cursinho eu sempre andava com a Jandela e a Cecilia, e como me chamam de Victor nosso apelido coletivo era: Cris e Greg, brincadeira, nos chamavam de "Videocassete", pois havia uma marca famosa que fabricava esses aparelhos eletrônicos chamada JVC, Jandela, Victor e Cecilia. Eu gostava desse apelido, ele nos dava uma identidade e uma sensação de grupo. Os alunos mais velhos me chamavam de Bebe devido a minha tenra idade. Sempre que eu me lembro desse período me lembro do poema "Quadrilha" de Carlos Drummond de Andrade, mais ou menos assim:


Otto amava Jandela que amava Victor
que amava Beatriz que amava Pedro que amava Cecilia
que não amava ninguém.
Otto foi para a Europa, Jandela para a USP,
Victor quase morreu algumas vezes, Beatriz ficou para tia,
Pedro suicidou-se e Cecilia casou com J.Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.


Claro que eu dei uma mudada no poema e na história, mas Octavius realmente foi para a Europa trabalhar em seu mestrado, Jandela estudou na USP, eu quase morri algumas vezes, Beatriz até onde sei está solteira, Pedro nunca conheceu Cecilia, nem nenhum de nós, com exceção de Pedro, que se casou com uma amiga minha mais tarde (o que quer dizer que ele se matou, afinal ele casou!!!) e de Cecilia nunca mais tive notícias após o termino do cursinho.
Desculpem-me por me perder na história do meu vício de corrigir o português dos outros. Mas ao lembrar de como tudo começou eu sinto saudades daquela época. Guilherme me repreenderia por ser um saudosista, mas assim como Spike Spiegel "Eu vejo o passado com um olho e o presente com o outro”. Nunca me importei muito com o futuro, “pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu mal”, sabias palavras do Salvador que compõem o primeiro vértice da filosofia de vida que escolhi.

Cena 2 - Bilhetinho Azul
(Uma loja de discos, com araras de camisetas de rock, um balcão com CDs e DVDs.)


Haroldo é um músico, mas não um qualquer, ele realmente respira a guitarra como eu respiro oxigênio. E como ele é músico, ele nunca tem um relógio, nunca te ouve se você não começar a puxar assunto com o nome dele, ele vive em outro plano de existência, provavelmente um onde tudo tem notas, timbres e melodias.
Os tênis golpeiam o chão como baquetas acertam o tom-tom. A calça jeans sem amassos revelam o esmero da mãe, a camisa preta com a estampa do Metallica, fones de ouvido que saem do celular e preenchem aquele mundo já repleto de sons, o cabelo comprido até a altura dos ombros, a barba por fazer... Este é meu amigo indo trabalhar. Ele gosta de música caso não tenha enfatizado, e vive disso. Trabalha meio período em uma loja na Galeria do Rock e dá aulas de guitarra no resto do tempo. Muitas pessoas brincam de Guitar Hero, mas guitarristas brincam de Drum Hero. Ele entra na loja golpeando o ar com suas baquetas imaginarias.
Haroldo: E ai Tiago?
Tiago: E ai Haroldão! Como foi as aulas ontem?
(Os dois apertam as mãos e se dão um tapa nas costas.)
Haroldo: Foi muito louco. A mina é muito gata.
Tiago: (Risos)... Ai sim, eu sabia que a mina ia te ligar.
Haroldo: É, eu tinha ficado em dúvida que ela fosse mesmo querer aulas de guitarra. Ela tem mou naipe de paty...
Tiago: Ah! Mas o estilo de rock star do Haroldão conquista a mulherada.
Haroldo: (Risos) E como estão as coisas por aqui?
Tiago: Estão indo, mas já foi melhor.
Haroldo: Beleza. Você pode ir almoçar se quiser mano. Eu seguro as pontas agora.
Tiago: Valeu mano. Té mais.
Haroldo: Falou.
Haroldo retirou os fones de ouvido e os colocou sobre o balcão, depois andou até arara e conferiu as camisetas. Nesse momento uma mulher entrou na loja e passou a observá-lo. Quando ele deixou cair uma camiseta e se abaixou para pegá-la Haroldo ouviu um riso.
Haroldo: Oi. Posso te ajudar?
Ele disse isso ainda se levantando e quando viu o rosto da mulher arregalou os olhos, ela era muito bonita.
Mulher: Claro que pode me ajudar. Eu quero mais aulas práticas.
Haroldo: (Risos) É mesmo? Tenho de ver a minha agenda Estela...
Estela: Pois, veja.
Haroldo: Agora eu to trabalhando.
Estela: Não está mais.
Estela toma o braço de Haroldo e o leva até o trocador. A música de fundo tocava baixo e quase não era notada, mas agora se pode ouvir o refrão:


Uma hora mais tarde Tiago volta segurando um lanche do Subway (E eu nunca vou entender por que comer nesse lugar que sugere um outro onde todo mundo passa, deixam chicletes no chão e se unem em um grande amor fraternal no horário de pico, atrai pessoas). Ele chama por “Haroldão” e a cortina do trocador se mexe.
Haroldo: Ow velho, você já chegou!
Tiago: Já... e o que você tava fazendo no trocador?
Haroldo: Me trocando. O que mais?
Tiago: Hum... Sei...
Tiago vai para atrás do balcão e começa a mexer nos CDs. Haroldo corre para dentro do trocador, afasta a cortina e entra. Tiago corre até o trocador e afasta abre a cortina com o espirito de “A-ha! Te peguei!”, ele abre a boca para gritar, mas a cena que vê o desanima. Haroldo está sentado segurando um bilhete azul e rindo.
Tiago: Ta rindo do que?
Haroldo: Nada não meu velho, nada não...
Haroldo se levanta, amassa o bilhete azul e vai até a arara terminar de arrumar as camisetas. Tiago vai até o lixo e pega o bilhete, então lê: “Chuchu vou me mandar. Talvez volte qualquer dia.”


Cena 3 - Pronominais
(Noite de RPG na casa de Haroldo. Victor na ponta da mesa da cozinha, Fábio, Guilherme e Haroldo sentados em volta da mesa)


Fábio: Impressionante como essa mina que você saiu é firmesa.
Haroldo: (Risos) Eu sei, a mina é muito doida mano.
Guilherme: Doida demais na minha opinião.
Victor: Deixa o cara ter um pouco de insanidade na vida dele.
Guilherme: Eu deixo. Não tenho nada com isso.
Todos riem, menos Guilherme, mas ele nunca ri mesmo. Eu começo a aventura nas Terras Selvagens, narro por cerca de uma hora até ouvir um:
Haroldo: Que seje.
Victor: Que?
Fábio: Pronto. E lá vamos nós.
Victor: Você ouviu o que ele disse?
Fábio: Claro, eu só não ligo. Cê sabe que ele não comete erros assim, só escapou, mas mesmo assim vamos ter de ouvir né?
Guilherme: Claro que vamos ter de ouvir. O palco é seu Wolfenstein faça o seu solilóquio.
Victor: Eu não acredito que você disse seje Haroldo.
Haroldo: Seje, seje e que seje.
Victor: (Com a mão no coração) Para com isso.
Haroldo: Nunca. Seje, seje, seje.
Fábio ri alto e coloca a mão no estomago. Pelo jeito devia estar com dor de tanto rir já. Guilherme nos olha como se fossemos crianças disputando quem irrita quem.
Haroldo: Mano você é muito chato. Eu sei que seje não existe, mas escapou.
Victor: Mas você nem se corrigiu.
Fábio: E quem de nós precisa quando temos o Pasquale aqui.
Guilherme: Isso é verdade. Você se prontifica a corrigir todo mundo.
Victor: Nunca. Eu só corrijo vocês.
Haroldo: Que seja, mestra ai.
Fábio: Me deixa mestrar então.
Guilherme: Você não devia ter dito isso Fábio.
Victor: Ooooooohhhh Fabião! Usando pronomes pessoais átonos no começo de oração. Isso também não pode.
Fábio: Morre! Me erra!
Victor: E você não fala nada Guilherme.
Guilherme: Eu simplesmente não me importo.
Victor: Como não?
Fábio: A função da linguagem é se comunicar mano e você entendeu o que ele quis dizer. Para de encher o saco e mestra ai.
Victor: Mas temos de ter as regras para não ter derivações linguísticas.
Haroldo: Mestra ou morre.
Guilherme: Mestra logo!
Victor: Eu nem quero mais mestrar.
Fábio: Afe!
Haroldo: Mano você é muito chato.


Cena 4 - Who Do You Think You Are?
(Jandela e Beatriz em uma loja de shopping. A loja vende roupas como calças jeans, blusinhas e vestidos)


No dia seguinte o sol estava alto e o céu aberto, a temperatura facilmente atingia os trinta graus do grande Celsius. O mormaço e a falta de ventos devido aos prédios da cidade faziam as ilhas de calor, mas Jandela e Beatriz nem sentiam o hálito quente de Apolo. Dentro do shopping, protegidas pelas paredes de concreto e pelo zéfiro artificial dos ares-condicionados, elas simplesmente olhavam as roupas da loja. Olhar é complicado para mulheres, elas não gostam só de ver a roupa, elas tem a necessidade vital de tocar o tecido, analisar as costuras e especialmente de provar a vestimenta. Eu nunca conheci uma mulher que não amasse o espelho mais do que chocolate. É claro que elas vão dizer que não, mas todas são Narciso e os homens é que são Eco. Duvida? Eu defendo minha teoria.
Mulheres amam tanto espelhos que antes dessa coisa de metrossexualismo somente o lado que pertencia a elas no carro vinha com espelho... Bom talvez tenha do lado esquerdo também agora por elas dirigem. Qualquer superfície polida o suficiente para refletir uma imagem, onde se possa definir o que é uma mecha de cabelo vai acabar por atrair mulheres como uma luz atrai mariposas. Se você ainda não reparou nisso é porquê você não anda reparando nas mulheres como devia. Uma arapuca para mulher deve contar com um espelho, para que ela não fuja, e um chocolate, para impedir que ela se mova. Destarte, pode-se pegar uma miríade de espécimes. Narciso não gosta do que não é espelho.
Homens são apenas o reflexo, ou a resposta para manter a analogia, das mulheres. Até onde sei somos o que nossas mães nos criaram para ser e depois de sair de casa somos o que nossas esposas tentam nos fazer, mas nunca estamos bom o suficiente. E como Eco não fazemos as perguntas, salvo quando realmente precisamos entender o que aconteceu, só respondemos. Sempre damos a última palavra “Sim senhora” como Guilherme há de responder sua esposa e “Já fiz porra!” como eu hei de responder a minha. Mais para frente vamos ter um casal somado ao grupo de personagens que aqui se encontram e deles vou fazer valer essa teoria.
Jandela: Bia! Olha essa blusinha! É linda!
Beatriz: Nossa é linda mesmo! Você vai levar?
Jandela: Acho que sim. Vou experimentar!
Beatriz: Isso! E me mostra como ficou!
Estou usando só um sinal de exclamação porquê não sei como expressar a felicidade das mulheres ao ver uma peça de roupa que vai combinar com todo o resto do universo de seus armários, ou não. As duas vão ao provador de roupas, afinal uma mulher nunca entra em qualquer ambiente com vidros sozinha. Jandela se troca.
Beatriz: Jan! Você ficou linda!
Jandela: E não é que fiquei mesmo. Imagina com aquela minha calça jeans com pedrinhas e rasgada!
Beatriz: Nossa! E ainda com aquele seu sapatinho verde água!
Jandela: E com minha bolsinha verde claro vai ficar linda!
Beatriz: E as pulseiras azuis bebe!
Jandela: Nossa! Eu vou levar! Vou ficar muito linda!
Beatriz: Vai sim Jaaaannnn!
Tudo o que posso dizer até aqui é que enxergo em RGB... O que chamam de rosa para mim é vermelho. No máximo um vermelho mais claro. Posso lhes contar também que elas passaram mais de duas horas provando roupas enquanto uma vendedora dava palpites e dizia que tudo estava lindo nelas. Ainda mais as cores laranja e azul... das notas de 50 e 100 reais que elas iam deixar por uma blusinha e uma calça. Eu com 50 pilas volto para casa de camiseta nova e calça nova. Mulher gosta tanto de cor que até o dinheiro é colorido. Aqui no Brasil não podemos falar as “verdinhas”, até por que nos tiraram as notas de um real, acho que é porque a Jandela já gastou todo o verde do mundo em suas roupas. Mulheres gostam de coisas coloridas e o cara que decidiu fazer uma de cada cor estava pensando na economia, pois dessa forma elas podem ficar trocando de “figurinhas” até terem todas, enjoar delas e trocar de novo. Economia, Horácio, economia! Se só homens vivessem nesse mundo, além de ser muito chato e ruim, não haveria economia. Íamos pagar tudo com churrasco e cerveja!
Elas saem do provador com vinte peças de roupa cada uma, deixam dezenove com a vendedora e conselheira de moda, e felizes com uma peça de roupa vão felizes a operadora de caixa feliz.
Beatriz: O Octavius vai gostar muito!
Jandela: Vai sim! Desde que não saiba o preço. (Risos)
O telefone de Jandela toca a música Cafajeste das Velhas Virgens. Ela olha para Beatriz, faz careta e atende o telefone.
Jandela: Alô!
Fábio: Oi linda! Onde você está?
Jandela: Estou no Shops com a Bia. Por que?
Fábio: É que hoje vamos comer pizza na casa do Haroldo e eu ia te convidar para ir lá.
Jandela: Por que ia? Desistiu?
Fábio: Não. É só maneira de falar.
Jandela: Só porque eu disse que to com a Bia você não vai mais me convidar?
Fábio: Para com isso. Pode trazer ela também.
Jandela: Tá. E quem vai?
Fábio: Eu, você, a Bia, o Haroldo, o Victor e acho que o Guilherme também.
Jandela: Tá bom. Que horas lá?
Fábio: As oito da noite linda.
Jandela: Tá. Beijos.
Fábio: Beijos.
Jandela desliga o celular e olha para Beatriz. Guarda o celular na bolsa.
Beatriz: Quem era para você colocar um toque desses?
Jandela: O Fábio. Vamos jantar com os meninos hoje. Vou chamar o Octavius, o Fábio vai ficar puto!
Ambas riem.


Cena 5 – Kakarotto, seu verme!!!
(Haroldo, Fábio e Victor na casa de Haroldo sentados no sofá assistindo televisão)


Haroldo: Eu tenho uma pergunta.
Fábio: Pergunte.
Haroldo: Tudo bem que o filme é sobre robôs alienígenas gigantes, mas eu não entendi porque a radiação do Cubo não consegue escapar da represa e o robozinho consegue avisar os decepticons pelo rádio?
Fábio: Hum. Eu não sei dizer. Talvez não seja rádio.
Haroldo: Tudo bem que não seja, mas como a radiação não passa, mas ele avisa os manos do mal?
Fábio: Victor, responde ele.
Victor: É magia.
Haroldo: Ta doido?
Victor: Magia de Hollywood!
Os três riem. A campainha toca.
Fábio: Eu atendo.
Haroldo: Claro. Mi casa és su casa.
Fábio é um atleta nato, a velocidade com a qual ele se levantou nunca poderia ser reproduzida por nenhum de nós. Ele foi até o portão e o abriu para Jandela, Beatriz e Octavius.
Fábio: Boa noite.
Jandela e Beatriz: Boa noite.
Octavius: E ae?
Octavius estava abraçando Jandela com o braço esquerdo e ofereceu a mão direita para nosso Hulk Albino, que simplesmente apertou a mão dele como o Toguro com 20% de força apertara a de Urameshi. A cara de desconforto de Octavius foi hilária, segundo o Hulk Candido.
Octavius: Eita! Que aperto você tem ai!
Fábio: Desculpa ai. São as aulas de pilates.
Octavius: Você faz pilates?
Jandela: É claro que não besta. Vamos entrar.
Os quatro entram e encontram Haroldo e Victor discutindo.
Victor: Mano, eu não sei por que o cubo consertou o robozinho que nem encostou nele e o Bumblebee que tocou no cubo não.
Fábio: Não consertou o que do Bumblebee?
Haroldo: Viu esse filme tem um monte de erros.
Victor (Para Haroldo): Mano! Tem carros virando robôs gigantes e você está preocupado com isso?
Victor (Para Fábio): O sistema de voz dele.
Haroldo: Você não manja de cinema.
Jandela: Sobre o que vocês estão discutindo?
Fábio: Sobre Transformers.
Jandela: Passo.
Beatriz: Repasso.
Octavius: Pago. Qual é a dúvida?
Fábio: Por que o Bumblebee não teve a voz arrumada quando tocou no cubo.
Octavius: (Risos) Vocês são tão nerds quanto eu ouvi dizer que eram.
Confesso que minha vontade era pedir para o Fábio dar um abraço nele. Se com um aperto de mão ele ficou surpreso imagina com um abraço de urso polar? Mas decidi ser cordial...
Victor: Um pouco só.
E tive a minha recompensa.
Octavius: Não, vocês são muito nerds! Nem meu priminho de quatro anos discute essas coisas.
Haroldo: Você discute com seu primo de quatro anos?
Fábio: Tipo vocês estão no mesmo nível de discussão?
Octavius: Claro que não.
Fábio: Então por que usou ele de exemplo?
Jandela: Chega crianças. Bia quer tomar alguma coisa?
Beatriz: Coca-Cola.
Jandela: Victor vai buscar.
Victor: Afe! nem chegaram e já estão mandando em mim.
Reclamei, mas me levantei, cumprimentei Jandela, Octavius e Beatriz e fui para a cozinha. Beatriz veio atrás de mim. A campainha tocou de novo e depois de um tempo ouvi os meninos conversando com Guilherme.
Guilherme: Oh! Kakarotto! Eu quero coca também!
Octavius: Kakarotto?
Fábio: É do Dragon Ball.
Octavius: E por que kakarotto?
Da cozinha eu ouvi a pergunta de Octavius e somei a minha voz de lá mesmo ao coro que iria se erguer na sala.
Haroldo, Fábio, Guilherme e Victor: Kakarotto, seu verme!!!


Cena 6 – E vão fazendo telhados...
(Victor, Beatriz, Fábio, Jandela e Octavius na cozinha. Guilherme e Haroldo na sala)


Eu e Beatriz conversamos sobre os professores do cursinho que ela e Jandela faziam de manhã e eu de noite, na mesma escola. Fábio, Jandela e Octavius conversavam sobre quem era mais nerd no nosso grupo. Haroldo e Guilherme discutiam se assistiriam Transformers 2 ou Batman: O cavaleiro das trevas ressurge.
Devo confessar que havia muita diferença entre os professores da manhã e da noite do cursinho. Pelo que Beatriz dizia eles eram menos engraçados de manhã, acho que não podiam fazer as piadas que gostariam com um público mais jovem. E sobre as diferenças de Transformers e Batman nem vou comentar.
Beatriz: Ai o professor leu “Vícios na fala” de Oswald de Andrade e eu pensei: “falamos mesmo tão diferente?”
Victor: Acho que sim, ainda mais se considerarmos a região. É como os professores dizem: “A língua está viva”.
Beatriz: Mas eu não entendo como pode variar tanto.
Victor: Nem eu.
Na sala. Sobre sofás e regados a coca-cola e salgadinhos Torcida.
Haroldo: Mano to te falando, Transformers é uma merda. Mané carro virando robôs.
Guilherme: Como você não gosta. São robôs destruindo a cidade para dominar o mundo e outros robôs destruindo a cidade para salvá-la.
Haroldo: Sou mais o Batman.
Guilherme: E quem não é?
Neste momento Jandela e Octavius entravam na sala e ela lançou sua língua ferina na conversa.
Jandela: Eu não gosto...
Haroldo: Afe!
Octavius: Eu também não.
Haroldo: Você namora, você não conta.
Octavius: Por que não?
Guilherme: Por que segundo a filosofia de meus amigos quem namora não é dono de si.
Jandela: Eles tem inveja de quem namora.
Haroldo: Claro... Doida.
Jandela: Olha o Victor. Tudo o que ele quer é namorar.
Guilherme: Tudo o que ele quer é a Beatriz. Não necessariamente namorar.
Octavius: Não entendi.
Haroldo: Claro que não.
Guilherme e Haroldo riem, enquanto Jandela puxa Octavius para fora da sala e voltam a cozinha. Fábio entra na sala.
Fábio: Manolo! O Victor e a Bia só falam de cursinho.
Haroldo: Senta ai e assiste O Cavaleiro das Trevas.
Fábio: Vamos ver Os Vingadores! É muito melhor.
Haroldo: Afe!
Guilherme: E lá vamos nós.
Na Cozinha.
Victor: Mas é tipo o Adoniran Barbosa.
Beatriz: É nada.
Jandela: O que?
Victor: Como as pessoas falam hoje em dia.
Octavius: É nada. Já teve uma conversa inbox no face? É tudo simplificado.
Victor: Aquilo não são conversas, são grunhidos.
Octavius: Mas todo mundo se entende.
Jandela: O Victor não entendi emoticons.
Victor: Nem o Word entende... Se você escrever ele vai sublinhar a palavra em vermelho!
Um silêncio de dois minutos. Os três mexiam em seus celulares. Quando o meu emite um bip dos Power Rangers, seguido de outro e outro.
Beatriz (mensagem de celular): Vi, vc eh 1 véio.
Octavius (mensagem de celular): eh bro, cê tem d se adapta as modernidadi.
Jandela (mensagem de celular): Vc é só um chato.
Victor: E vão fazendo telhados...


Cena 7 – Samba do Moae


O Victor nos convidou
Prum MMO, ele mora lá traz
Nóis fumos, não encontremos ninguém
Nóis vortemos cuma baita duma réiva
Da outra vez nóis num joga mais
O que foi que nóis feiz?


Noutro dia encontremos com Victor
Que pediu desculpas,
mas nóis não aceitemos
Isso não se faiz, Vitão, nóis não se importa
mas você devia ter ponhado
um recado na porta.


Ansim: Ói, turma, nem deu pra esperar
Adsc´isso, num tem importância num faiz mal.
Sabe o que nóis joga? O que?
Nóis não joga nada, porque despois que nóis jogô,
Despois que nóis joga.


Deixa disso camarada. Me dá um cigarro.


Próximo Capitulo:


S01E04 - Hamlet vs Hércules

Beatriz idealiza o homem perfeito e descobre que Victor não é nada parecido com ele. Os Arautos sofrem distúrbios, uma rixa entre Guilherme e Fábio quase leva a ruína as noites de sexta-feira. Haroldo surpreende a todos com suas habilidades de guitarra e conhecimento sobre a história do rock!

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