quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Matrix

“Você precisa ser feliz para viver, eu não.” (Keanu Reeves)

Não sei o que pensar de um cara desses com a história de vida dele. Só sei que penso o mesmo. Ainda me lembro do dia que minha mãe saiu de casa, e isso foi logo depois da fatalidade, e chega a ser engraçado como as pessoas te tratam depois que descobrem sobre o pior momento da sua vida. Primeiro vem um pesar muito grande e uma tristeza compartilhada, ou pelo menos sentida, devido a possibilidade de uma fatalidade semelhante ocorrer à eles também. Segundo vem a compaixão para contigo, onde elas se colocam no seu lugar e ali ficam como Fernando Pessoa em sua Autopsicografia. Terceiro vem a remoção da emoção e a substituição pela vida que segue, que arranca tudo pela raiz e o tempo volta a correr.
Parece o natural e o certo, que elas esqueçam isso tudo e te tratem com naturalidade, mas fatalidades não são naturais para quem tem de conviver com elas, é como ganhar uma marca de ferro quente sobre e sob a pele. As pessoas comuns vão olhar a marca e se condoer, mas nunca vão entender a profundidade dela. É meio aquela história de que para entender os peixes é preciso ser peixe.
Você vai sorrir de novo, andar de novo, e talvez se for mais vesano até amar de novo, mas nunca mais terá um espirito livre de portas abertas. Sempre haverá aquele receio, o pé atrás, a vontade de ter um "plano b" antes de se meter com algo que já te marcou. A vida é para ser vivida dizem por ai, mas dizem muitas coisas por ai. Dizem que você deve amar sempre, e hoje em dia amam doze vezes ao ano... Eu não gosto disso, mas isso é o que eu penso. Prefiro ser como o Neo, sofrer o resto da vida pelo amor que se foi, por que para mim ele teve um significado eterno, não só mais um caso. É tanta gente tentando o amor fácil, o amor oportunista que eu não vejo razão nisso tudo. Paixão, meu velho, quer dizer sofrer e o amor não é parte disso mesmo? De um sofrimento desmedido? Não é se importar mesmo quando dói?

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