terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A dívida externa da Europa

"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a encontraram só há 500 anos.
O irmão europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o pagamento, com juros, de uma dívida contraída por um Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse.
Outro irmão europeu, um rábula, me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento.
Eu também posso reclamar pagamento, também posso reclamar juros.
Consta no Arquivo das Índias. Papel sobre papel, recibo sobre recibo, assinatura sobre assinatura que somente entre os anos 1503 e 1660 chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América
Terá sido isso um saque?
Não acredito porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao Sétimo Mandamento!
Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão
Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas que qualificam o encontro de "destruição da Índias" ou Arturo Uslar Pietri, que afirma que a arrancada do capitalismo e a atual civilização europeia se devem à inundação de metais preciosos retirados das Américas!
Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de outros empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas indenização por perdas e danos.
Eu, Guaicaipuro Cuatémoc, prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.
Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "Marshal-tezuma", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, do banho diário e outras conquistas da civilização.
Por isso, ao celebrarmos o Quinto Centenário desse Empréstimo, poderemos nos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional, responsável ou pelo menos produtivo desses recursos tão generosamente adiantados pelo Fundo Indo-americano Internacional?
É com pesar que dizemos não.
No aspecto estratégico, o dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em armadas invencíveis, em terceiros reichs e outras formas de extermínio mútuo, sem um outro destino a não ser terminar ocupados pelas tropas gringas da OTAN, como um Panamá, mas sem o canal.
No aspecto financeiro foram incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros, quanto se tornarem independentes das rendas liquidas, das matérias primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.
Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar. E nos obriga a reclamar-lhes, para o seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente temos demorado todos estes séculos para cobrar.
Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros que os irmãos europeus cobram aos povos do Terceiro Mundo. Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos emprestados, acrescidos de um módico juro fixo de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos.
Sobre esta base, e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 180 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300. Isso quer dizer um número para cuja expressão total seriam precisos mais de 300 cifras, e que supera amplamente o peso total do planeta Terra.
Muito peso em ouro e prata! Quanto pesariam calculados em sangue?
Admitir que a Europa, em meio milênio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para pagar esses módicos juros seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e/ou a demencial irracionalidade dos pressupostos do capitalismo.
Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam aos indo-americanos.

Porém exigimos a assinatura de uma carta de intenções que discipline aos povos devedores do Velho Continentes e que os obrigue a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permita nos entregá-la inteira como primeira prestação da dívida histórica."


(Cacique Guaicaipuro Cuatemoc)

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014



Já teve aquela sensação de que você é mais inteligente e capaz do que a maioria? Pois é, eu a tenho em muitos momentos, no médico por exemplo, quando aquele presunçoso me olha e critica o meu modo de vida. Ele se acha o cara mais esperto da sala, mas no fundo eu sei que sou eu. Você não quer um sermão e sim uma solução. Afinal, mesmo eu não posso estudar o universo inteiro e decidi deixar a medicina pra quem se importa com dinheiro e gente doente. Pensando melhor todas as mães do mundo deveriam ser médicas, se não o são em menor ou maior grau.

Mas como eu estava te dizendo. Uma hora, geralmente, quando desafiado você forçá sua concentração e memória para dirimir um problema, e você o faz de com magnanimidade. São esses momentos que me definem, são neles que eu me sinto eu.

Para você ser chamada de linda e bonita é elogio... Elogio para mim é quando me chamam de esperto e inteligente.

Não entendeu? Eu explico. Você se sente mais você quando está com pó na cara, dinheiro no bolso e um vestido bonito, quando um cara vem com carro te levar para sair e é um esporte cujo nome eu nunca vou memorizar.

Eu quando resolvo um problema que estava me incomodando, quando ouço uma música de qualidade e quando escrevo sem parar me sinto mais eu mesmo.

Matrix

“Você precisa ser feliz para viver, eu não.” (Keanu Reeves)

Não sei o que pensar de um cara desses com a história de vida dele. Só sei que penso o mesmo. Ainda me lembro do dia que minha mãe saiu de casa, e isso foi logo depois da fatalidade, e chega a ser engraçado como as pessoas te tratam depois que descobrem sobre o pior momento da sua vida. Primeiro vem um pesar muito grande e uma tristeza compartilhada, ou pelo menos sentida, devido a possibilidade de uma fatalidade semelhante ocorrer à eles também. Segundo vem a compaixão para contigo, onde elas se colocam no seu lugar e ali ficam como Fernando Pessoa em sua Autopsicografia. Terceiro vem a remoção da emoção e a substituição pela vida que segue, que arranca tudo pela raiz e o tempo volta a correr.
Parece o natural e o certo, que elas esqueçam isso tudo e te tratem com naturalidade, mas fatalidades não são naturais para quem tem de conviver com elas, é como ganhar uma marca de ferro quente sobre e sob a pele. As pessoas comuns vão olhar a marca e se condoer, mas nunca vão entender a profundidade dela. É meio aquela história de que para entender os peixes é preciso ser peixe.
Você vai sorrir de novo, andar de novo, e talvez se for mais vesano até amar de novo, mas nunca mais terá um espirito livre de portas abertas. Sempre haverá aquele receio, o pé atrás, a vontade de ter um "plano b" antes de se meter com algo que já te marcou. A vida é para ser vivida dizem por ai, mas dizem muitas coisas por ai. Dizem que você deve amar sempre, e hoje em dia amam doze vezes ao ano... Eu não gosto disso, mas isso é o que eu penso. Prefiro ser como o Neo, sofrer o resto da vida pelo amor que se foi, por que para mim ele teve um significado eterno, não só mais um caso. É tanta gente tentando o amor fácil, o amor oportunista que eu não vejo razão nisso tudo. Paixão, meu velho, quer dizer sofrer e o amor não é parte disso mesmo? De um sofrimento desmedido? Não é se importar mesmo quando dói?