quarta-feira, 23 de novembro de 2011

'I've got you under my skin'

"Com que afetuosa doçura ela censurou os meus excessos Meus excessos consistiram nisto: copo atrás de copo, cheguei a beber uma garrafa de vinho.", 8 de Novembro para o jovem Werther de Goethe, aquém do tempo para mim...
Hoje me sinto, deveras, cansado e com saudades de vidas que nunca tive, vivo como se fosse morrer amanhã, sorvendo o vinho que me é dado pelos que tem pena de mim, colhendo os frutos das ervas daninhas que plantei, se essas dessem frutos.
O vinho do qual me farto faz-me dormir cansado e esmorecido, mas também, acalenta meus sonhos e ali, na terra de Morfeu, eu posso ter-te, ver-te e amar-te. Tu bem o sabes que não posso viver contigo, pois nosso tempo passou, eu não perdoo seus crimes e você não aceita minha vesânia. Eu tenho saudades suas... é triste e deprimente, mas é a verdade, a verdade que me torna tão patético, que me faz ir de bar em bar, beber mais álcool do que buscar por sabedoria ou uma vida mais confortável.
A noite minhas mãos buscam por teus seios, minha pele pede a tua, busco teu olor. Esta mais difícil aceitar tua partida, as cartas que não me chegam mais acompanhadas do seu sorriso e dos nomes carinhosos, sou Alice sem seu reino de maravilhas. É verdade também que sem você eu me sinto perdido, situação com a qual já estou me acostumando. Hodierno eu não choro mais por sua ausência, nem me desespero pela falta de sua presença... eu também segui caminho.
Nunca mais vou dizer 'eu te amo' a ninguém, pois eu não posso carregar mais alguém em meu peito. É certo que me apaixonei depois que você se foi e que quis amar suas sucessoras... mas perto de ti, ou do que foi para mim não tenho parâmetros além de ti.
O modo como falas e teu olhar de soslaio são o que busco, sua falta de paciência, sua inteligência, sua curiosidade, sua loucura... ah! o modo como me cobravas, ofendia minha boêmia, e aceitavas meus vícios de tabaco e alcoolismo...
Mas eu vou viver, eu prometi a mim que vou viver sem você. Que você foi o amor da minha vida, que seja a minha paixão conjugada no verbo ser, que és tão bela ao ponto de me fazer tremer ao ver-te, que me aceitas como sou e faz meu coração desatinar. Mesmo de corpo fatigado, mente entorpecida e espírito esmorecido eu vou seguir em frente, não porquê eu queira, mas eu tenho fé em mim e sei que mais a frente vou ter o que quero e não o que mereço.

"The record shows, I took the blows/ And did it my way"
(é... eu ainda ouço o cara de olhos azuis, mesmo os meus sendo quase verdes...)